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Indígenas fecham estradas na Guatemala para exigir renúncia do presidente

Caminhões continuam presos em uma estrada bloqueada por indígenas, que exigem a renúncia do presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, em Cuatro Caminos, San Cristóbal Totonicapán, em 9 de dezembro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. dezembro 2020 - 19:01
(AFP)

Centenas de indígenas protestam nesta quarta-feira (9) com o fechamento de uma estrada no oeste da Guatemala, em mais um dia de manifestações para exigir a renúncia do presidente Alejandro Giammattei, que enfrenta uma crise devido a alegações de falta de transparência em sua gestão.

O protesto foi convocado pela liderança do grupo 48 Cantones de Totonicapán, uma das principais organizações indígenas que desde o fim de novembro se uniu à rejeição contra Giammattei após a aprovação do orçamento nacional, revogada depois de queixas de que o projeto não respondia aos problemas sociais.

"Renuncie, Giammattei", "Rejeitamos a corrupção", "48 cantões contra os corruptos", dizem algumas faixas colocadas pelos manifestantes nas cinco barreiras relatadas pela imprensa em diferentes áreas da cidade de Totonicapán. Até agora não foram registrados incidentes violentos.

Os manifestantes interromperam por quase dez horas rodovias em pelo menos cinco regiões do povoado de Totonicapán, em um dia sem incidentes violentos.

Além dos bloqueios, a maioria das lojas fecharam as portas em apoio ao protesto e no departamento (estado) vizinho de Sololá, autoridades maias também foram às ruas para repetir palavras de ordem contra Giammattei, o Congresso e exigir reformas no poder judiciário, entre outras reivindicações.

Os protestos também pediram a renúncia dos deputados que aprovaram o polêmico orçamento e a destituição do ministro do Interior, Gendri Reyes, que foi apontado como responsável pelos abusos policiais em manifestações anteriores.

Giammattei, um médico de direita de 64 anos, vive uma das piores crises desde que assumiu o cargo em 14 de janeiro, depois que o Congresso, controlado pelo partido governista e seus aliados, aprovou o orçamento do próximo ano em meados de novembro sob acusações de corrupção e de ignorar as demandas sociais.

As reivindicações dos cidadãos eclodiram em 21 de novembro, com um protesto pacífico no centro da capital. Até que um grupo de encapuzados incendiou parte do Congresso, desencadeando confrontos entre manifestantes e policiais, nos quais a brutalidade das forças de segurança foi denunciada.

Dias mais tarde, os deputados suspenderam o orçamento, mas os protestos continuaram e, no sábado retrasado, um grupo pôs fogo em um ônibus em frente ao Palácio Nacional e atacou vários policiais do choque.

"O presidente da República como chefe de governo é o responsável pela governabilidade. Ao não realizar a governabilidade de forma correta é que se exige que renuncie", declarou à AFP German Batz, um dos líderes dos 48 cantões.

A organização, que reúne os prefeitos de comunidades de Totonicapán, pediu aos manifestantes para usar máscaras e gel desinfetante para evitar os contágios da covid-19, uma doença que deixou mais de 4.300 mortos desde março na Guatemala.

Outras organizações que criticam a gestão de Giammattei convocaram novos protestos na capital e outras cidades do país para quinta, sexta e sábado.

Na semana passada, na tentativa de diminuir as tensões, Giammattei e seu vice, Guillermo Castillo, apareceram juntos após semanas de diferenças marcadas e em uma coletiva de imprensa fizeram um apelo ao "diálogo e à concertação".

Em 20 de novembro, o vice-presidente Guillermo Castillo pediu a Giammattei que os dois renunciassem juntos "pelo bem do país", acusando-o de não atender às demandas da população por transparência.

Porém, na semana passada, em uma tentativa de acalmar as tensões, Giammattei e Castillo apareceram em uma coletiva de imprensa e pediram "diálogo e acordo".

As comunidades indígenas também afirmam que não foram incluídas nas discussões convocadas pelo governo para resolver a crise, uma reclamação liderada por Rigoberta Menchú, ganhadora guatemalteca do Prêmio Nobel da Paz.

A manifestação indígena exige também a redução do custo da energia elétrica e de alimentos básicos, demanda recorrente dos povos organizados no oeste do país.

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