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Investigado, Bolsonaro nega intenção de proteger a família

O presidente Jair Bolsonaro segura uma menina nos braços, no Palácio da Alvorada, em Brasília, em 12 de maio de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 13. maio 2020 - 17:17
(AFP)

O presidente Jair Bolsonaro voltou a negar nesta quarta-feira (13) ter demitido o diretor da Polícia Federal como forma de proteger sua família, ao defender-se de novas acusações em uma investigação judicial que poderia ameaçar sua permanência no cargo.

A Procuradoria Geral da República (PGR) investiga se Bolsonaro tentou obstruir a Justiça ao substituir o chefe da Polícia Federal no último mês por alguém de sua confiança, como denunciou o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, ao renunciar ao cargo no final de abril.

Os investigadores já interrogaram Moro, três ministros de Bolsonaro e acessaram nesta terça-feira o vídeo de uma reunião ministerial em 22 de abril na qual, segundo relatos, o presidente defende a mudança em cargos importantes na polícia para proteger seus familiares e amigos.

Mas Bolsonaro defende que a gravação não o incrimina. Apesar de admitir que na reunião se referiu a amigos e familiares, alega que estava falando de sua segurança e não de protegê-los de alguma investigação.

"Eu não falo Polícia Federal. Não existe a palavra Polícia Federal. Em todo o vídeo não existe a palavra Polícia Federal nem superintendência. Não existe a palavra investigação sobre filhos. Falo sobre a segurança da minha família e meus amigos. Ou você acha que não há interesse em fazer uma maldade com filho meu?", afirmou Bolsonaro a jornalistas na saída da sua residência oficial em Brasília.

O conteúdo do vídeo não foi publicado por estar sob segredo de Justiça.

Os poucos detalhes que se conhecem são de relatos da imprensa que escutou fontes que tiveram acesso ao material.

Bolsonaro defendeu que o vídeo se torne público, mas alertou que outras partes da reunião não deveriam ser reveladas por se tratar de assuntos comerciais, diplomáticos e "assuntos pessoais" reservados.

De acordo com a imprensa, Bolsonaro e seus ministros utilizam uma linguagem ofensiva ao referir-se a outros políticos, juízes da Suprema Corte e até mesmo à China.

As revelações de Moro causaram um terremoto político no Brasil, que enfrenta ao mesmo tempo críticas por sua resposta à pandemia do coronavírus.

Entre as investigações em curso que preocupam o presidente, segundo a imprensa, está a que envolve campanhas de notícias falsas que ameaçavam caluniar juízes do STF que contrariavam os projetos de Bolsonaro, aberta em março do último ano.

Dependendo do rumo da investigação, Bolsonaro poderia ser denunciado por diversos crimes, entre eles obstrução da Justiça, e retirado do cargo pelo Congresso, para ser depois julgado pelo STF.

O caso também poderia ter consequências judiciais para Moro, que poderia responder por crimes como calúnia ou prevaricação.

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