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Migrantes chegam ao norte do México e enfrentam rejeição

Migrantes centro-americanos, a maioria hondurenhos, na barreira entre México e Estados Unidos na localidade mexicana de Playas de Tijuana. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. novembro 2018 - 21:09
(AFP)

Um grupo com mais de 2 mil centro-americanos se encontrava nesta sexta-feira na cidade mexicana de Tijuana, na fronteira com os Estados Unidos, em meio à crescente rejeição da população local.

O prefeito de Tijuana, Juan Manuel Gastélum, do conservador Partido Ação Nacional (PAN), declarou ao canal de TV Milenio que os grupos de migrantes "chegam de forma agressiva, grosseira, desafiando a autoridade", e pediu ao governo federal sua imediata expulsão da cidade.

"Direitos Humanos vão cair em cima de mim, mas direitos humanos são para humanos direitos", disse Gastélum.

Na noite de quarta-feira ocorreram incidentes quando cerca de 300 moradores de Tijuana protestavam contra os migrantes em um bairro residencial da cidade.

Os protestos foram alimentados por boatos de que os migrantes haviam rejeitado a ajuda oferecida sob forma de alimentos e transporte.

"Muita gente (...) é muito mal agradecida e querem exigir direitos. Por que não exigiram em seu próprio país no lugar de vir até aqui?!" - disse à AFP José Bernal, um morador de Tijuana.

A caravana, que chegou a ter mais de 7 mil pessoas, tem se deslocado sem maiores incidentes, mas a impaciência da população mexicana é crescente nas redes sociais, especialmente após o presidente eleito, Andrés Manuel López Obrador, informar que seriam acolhidos no México e teriam emprego.

No Facebook há ao menos três grupos, cujos administradores afirmam ser de Tijuana, contrários à caravana de migrantes.

No Twitter se multiplicam as mensagens de rejeição ao grupo e no WhatsApp há redes perguntando por que motivo os centro-americanos não estão trabalhando no lugar de "exigir" direitos.

A prefeitura de Tijuana criou um albergue em um ginásio para receber os migrantes, onde há cerca de 2 mil pessoas, além de outros locais que estão recebendo os centro-americanos.

Nesta sexta-feira, os migrantes se queixaram que o albergue da prefeitura tem regras muito rigorosas e não fornece o café da manhã.

"Estávamos passando fome há dias nesta viagem, desde Sonora não comíamos e aqui não nos dão nada", disse à AFP Corín Mejía, uma hondurenha de 27 anos com um bebê no colo.

Os migrantes enfrentam o frio durante a noite e um forte sol de dia.

"Nos próximos três dias vamos ter cerca de 5 mil pessoas (em Tijuana) e é importante saber como vamos enfrentar isto", disse à imprensa Irineo Mujica, da organização Povo Sem Fronteiras.

Segundo a secretaria do Interior, há cerca de 8 mil migrantes em trânsito pelo México no momento após entrarem no país em distintas caravanas.

A caravana principal saiu no dia 13 de outubro de San Pedro Sula, Honduras, e já percorreu mais de 4.300 km, principalmente a pé, até Tijuana, na Baixa Califórnia.

Os migrantes tentam chegar aos Estados Unidos fugindo da extrema violência e da pobreza em seus países, mas se cruzarem a fronteira de forma ilegal terão sua permanência negada no território americano, segundo um recente decreto firmado pelo presidente Donald Trump.

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