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Moradores de La Paz protestam contra construção de cemitério por COVID-19

Trabalhadores de saúde carregam o caixão de um idoso, vítima de COVID-19, falecida em um asilo em Cochabamba, Bolívia, 20 de julho de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 18. agosto 2020 - 00:36
(AFP)

Moradores de um bairro da cidade de La Paz protestaram nesta segunda-feira contra os planos do município de construir um cemitério com capacidade para cerca de 1.800 pessoas que morreram de COVID-19, diante de um eventual colapso do principal cemitério local, apurou a AFP.

Habitantes do bairro "Hernando Siles" iniciaram seus protestos no fim de semana contra a decisão da prefeitura de viabilizar um espaço de cerca de 5.000 metros quadrados no chamado "bosque de Pura Pura", adjacente a uma rodovia que liga La Paz a El Alta.

"Não queremos um cemitério aqui, porque ameaça a saúde", disse Victoria Saico, moradora da região, na segunda-feira à AFP, que junto com mais de uma dezena de mulheres se mudou para a esplanada onde a prefeitura pretende localizar o cemitério.

As mulheres se opuseram aos planos do município e não descartaram bloquear o trânsito da rodovia que liga as duas cidades.

Sulma Mamani, outra moradora do bairro, garantiu que a prefeitura vai causar um "biocídio", pois Pura Pura é uma área verde, um dos principais pulmões da cidade.

A Câmara Municipal aprovou na semana passada uma portaria para viabilizar o novo cemitério, devido ao aumento de mortes.

Em março passado, quando começaram a ser registradas as primeiras infecções por COVID-19, o Cemitério Geral de La Paz registrou 428 sepultamentos por mês, enquanto em julho foram 1.871, segundo relatório oficial.

Jorge Silva, vereador municipal, afirmou que estava previsto que o cemitério principal de La Paz pudesse funcionar por mais cinco anos, mas "os enterros aumentaram de forma alarmante nos últimos dias e o cemitério de La Paz entrou em colapso".

O departamento de La Paz se tornou a segunda região mais afetada pela COVID-19, depois de Santa Cruz (leste), com mais de 25.700 infectados e 468 mortes.

O país de 11 milhões de habitantes registra mais de 100.000 infectados e mais de 4.000 mortes.

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