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OMS alerta para situação da Covid-19 em Brasil e México

Chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. novembro 2020 - 22:01
(AFP)

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, alertou nesta segunda-feira (30) para a rápida disseminação da Covid-19 no Brasil e no México, pedindo às autoridades de ambos os países para encarar a questão com seriedade.

"Acho que o Brasil deveria levar muito, muito a sério. É muito, muito preocupante", ressaltou Ghebreyesus sobre a evolução da covid-19 no país sul-americano, cujo presidente, Jair Bolsonaro, nega a gravidade desta doença e na semana passada anunciou que não se vacinará.

Durante a entrevista coletiva quinzenal que a agência dedica à pandemia, em Genebra, o diretor da OMS fez o mesmo alerta em relação ao México, que, segundo ele, está "em péssima situação".

"O número de casos e mortes dobrou", declarou com preocupação, antes de insistir: "Queremos pedir ao México que leve isso muito a sério".

O Brasil, que tem 211,8 milhões de habitantes, é o segundo país mais enlutado pela pandemia, com mais de 170 mil mortes, atrás dos Estados Unidos, segundo a Universidade Johns Hopkins.

O governador de São Paulo, João Dória, anunciou a retomada de medidas para evitar aglomerações, após o registro de um aumento dos contágios, mortes e internações nas últimas três semanas. O estado soma 1,2 milhão de casos e mais de 42 mil mortos, e observa um aumento do número de infecções e mortes devido à resistência da população a respeitar as medidas de prevenção, como usar máscara e evitar aglomerações.

A região registra uma média de 108 mortes diárias nos últimos 14 dias, enquanto, no fim de outubro, a cifra era de 94, segundo dados do Ministério da Saúde.

- 'Não vou tomar' -

O diretor-geral da OMS destacou que o Brasil conseguiu reduzir o número de casos em quase dois terços desde o pico da pandemia, em julho, com 114 mil casos na semana de 2 de novembro.

Mas "durante a semana de 26 de novembro, chegou novamente a 218 mil por semana", frisou.

"Se considerarmos o número de mortos na semana de 2 de novembro, são 2.538 e agora estamos em 3.876", continuou ele.

O presidente brasileiro é criticado pela forma como gerencia a pandemia, minimizando sua gravidade e se opondo à restrição das atividades econômicas.

O próprio Bolsonaro, de 65 anos, superou a doença em julho após se infectar com o coronavírus e aproveitou para reafirmar sua indicação da hidroxicloroquina, cuja eficácia não tem comprovação científica.

"Eu digo para vocês, eu não vou tomar", afirmou o presidente na quinta-feira, respondendo à pergunta sobre se será vacinado.

O México, por sua vez, ultrapassou o limite das 100.000 mortes em 20 de novembro e, oito dias depois, ultrapassou os 12.000 casos diários pela primeira vez desde o início da pandemia.

Na Cidade do México, os casos aumentaram 30% na semana de 23 a 28 de novembro, segundo dados oficiais.

- 'Vamos nos basear na ciência' -

Por outro lado, o diretor da OMS prometeu nesta segunda-feira que fará tudo o possível para esclarecer a origem do coronavírus, rejeitando as acusações de que a agência da ONU é muito complacente com a China.

"Queremos saber a origem e faremos tudo o possível para conhecê-la", prometeu Ghebreyesus, cuja agência espera enviar rapidamente uma equipe científica internacional à cidade chinesa de Wuhan, considerada a origem da pandemia.

"Não há nada a esconder", assegurou. "A posição da OMS é muito, muito clara: devemos saber a origem deste vírus, pois pode nos ajudar a prevenir futuras epidemias", acrescentou.

Ghebreyesus observou que esta se trata de uma "questão técnica" e lamentou que alguns a tenham "politizado".

Os Estados Unidos, o país mais atingido pela pandemia com mais de 262.000 mortes, acusaram publicamente Pequim de esconder informações e, por sua vez, a OMS de se submeter à vontade das autoridades chinesas.

Outros Estados-membros, embora menos críticos, acreditam que a China desacelerou o processo.

"Não deixaremos de buscar a verdade sobre a origem do vírus, mas nos basearemos na ciência", insistiu o diretor da OMS. Embora os cientistas geralmente acreditem que o hospedeiro original do vírus seja um morcego, o animal intermediário que o permitiu infectar humanos é desconhecido.

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