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ONU detecta aumento dos cultivos de coca na Bolívia e governo culpa Morales

Evolução dos cultivos de coca na Bolívia desde 2009 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 29. julho 2020 - 14:18
(AFP)

A Bolívia registrou em 2019 um aumento de 10% em seus cultivos de folha de coca em relação a 2018, segundo relatório de uma agência da ONU divulgado nesta quarta-feira. O governo do país responsabilizou a gestão do ex-presidente Evo Morales.

Thierry Rostan, representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) na Bolívia, participou de videoconferência em que também alertou para os cultivos ilícitos em áreas protegidas.

Segundo o relatório anual do UNODC, os cultivos de folha de coca, matéria-prima da cocaína, passaram de 23.100 hectares em 2018 para 25.500 em 2019. O aumento foi registrado principalmente nos Yungas, vales do departamento de La Paz, e também nos vales da região central de Cochabamba, reduto político de Morales (2006-2019).

Após a divulgação do relatório, o ministo boliviano do Interior, Arturo Murillo, culpou o governo Morales, líder dos "cocaleros" do país, pelo aumento dos cultivos. "O governo Morales criou políticas para incentivar a produção ilegal de coca através de proteção à produção excedente, ampliando a superfície ilegal e os assentamentos humanos em parques e reservas naturais", denunciou.

O UNODC, que monitora o cultivo milenar, informou que o aumento foi detectado a partir da combinação de imagens de satélite e de informações colhidas em trabalhos de campo. O órgão também alertou que foi detectada "a presença de cultivos de coca em seis das 22 áreas protegidas em nível nacional", onde é proibida por lei qualquer colheita da planta.

A agência fez uma estimativa do movimento comercial anual da coca de entre 432 milhões e 534 milhões de dólares, segundo o preço do quilo da planta. O consumo de coca para mascar, fazer infusões e em rituais religiosos andinos é autorizado na Bolívia.

Uma lei aprovada por Morales em 2017 ampliou os cultivos legais de coca de 12.000 hectares para 22.000. O país, terceiro maior produtor mundial de coca e cocaína, atrás de Colômbia e Peru, segundo o UNODC, vem exercendo políticas de erradicação do cultivo, milenar, desde a década de 1980.

É comum, após destruírem suas plantas, que os camponeses voltem a semear coca no mesmo lugar anos depois, ou migrem seus cultivos para outras zonas rurais.

- Preocupação da UE -

Os opositores de Morales sempre denunciaram que seu governo havia inflado os dados de consumo legal para elevar a produção e beneficiar os camponeses, aliados do ex-governante de esquerda, que renunciou em novembro de 2019 e está refugiado na Argentina.

A União Europeia (UE), que informou ter financiado o estudo do UNODC, também mencionou que a Bolívia eliminou nos últimos anos a tendência de redução de cultivos que mantinha desde 2011. "Expressa-se a preocupação com o aumento de 10% na superfície das áreas de cultivo de folha de coca na Bolívia, com intensidades diferentes nas regiões produtoras", indicou em comunicado a missão da UE em La Paz.

O UNODC sugeriu ao governo da presidente interina, Jeanine Áñez, de direita, que reforce a redução dos cultivos e impeça as plantações ilegais em parques naturais.

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