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ONU parabeniza abertura de caminho para eleições na Bolívia

A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, a chilena Michelle Bachelet afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 24. agosto 2020 - 14:53
(AFP)

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, saudou o recente acordo alcançado na Bolívia que abre o caminho para celebrar as eleições gerais em 18 de outubro, segundo um comunicado divulgado nesta segunda-feira (24).

Bachelet também elogiou o "consequente levantamento dos bloqueios por aqueles que protestavam contra o último adiamento das eleições devido à pandemia da COVID-19".

"Peço aos bolivianos que aproveitem esta resolução pacífica das últimas tensões (...) A Bolívia precisa superar a polarização que marcou o país por tanto tempo e avançar rumo a uma sociedade baseada no diálogo, onde todos sejam integrados e reconhecidos", disse Bachelet, citada no comunicado.

O Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas publicou, nesta segunda-feira, um relatório em que detalha as graves violações dos direitos humanos em meio a uma importante crise política após as eleições de outubro de 2019.

O relatório do Escritório sobre os eventos de 2019 foi baseado "em mais de 150 entrevistas com vítimas, testemunhas, representantes da sociedade civil e autoridades".

"Entre as violações dos direitos humanos registradas estão assassinatos, torturas, maus tratos e prisões arbitrárias", destaca o comunicado.

Entre os incidentes mais graves, estão o assassinato de nove pessoas durante as manifestações em Sacaba (Cochabamba) e de 10 manifestantes em Senkata (El Alto-La Paz), diz o Escritório da ONU.

"Me preocupa profundamente que, nove meses depois, ainda não houve prestação de contas pelas mortes em Sacaba e Senkata, nem para a maioria das mortes ocorridas no período coberto por nosso relatório", afirma Bachelet.

Durante o período analisado, equipes de direitos humanos da ONU também observaram funcionários públicos e particulares "fazendo uso de uma linguagem violenta e incendiária, assim como da violência verbal e física direcionada aos povos indígenas, o que reflete um racismo profundamente enraizado", ressalta o comunicado.

"Outro motivo de preocupação destacado no relatório é a forma em que funcionários ou pessoas vinculadas ao antigo Governo foram alvo de suposta perseguição judicial, o que destaca as deficiências de longa data do sistema judicial boliviano, daí a necessidade e importância de garantir o devido processo" acrescenta o texto.

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