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Para EUA, condições para eleições na Venezuela são muito piores este ano

Para Estados Unidos, as eleições convocadas pelo Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela para dezembro já estão "manipuladas" afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. julho 2020 - 22:47
(AFP)

Os Estados Unidos consideram as condições para as eleições legislativas da Venezuela em dezembro "muito piores" do que as do pleito presidencial de 2018, de acordo com declarações de uma autoridade americana nesta terça-feira (28). A reeleição de Nicolás Maduro foi considerada uma fraude por dezenas de países.

O diplomata Elliott Abrams, representante do governo Donald Trump para questões da crise venezuelana, afirmou que as próximas eleições do país sul-americano já estão "manipuladas".

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela convocou uma votação para 6 de dezembro a fim de eleger os membros da Assembleia Nacional, parlamento unicameral do país, para o período de 2021 a 2026.

Os principais grupos opositores venezuelanos, porém, já anunciaram um boicote. Eles não reconhecem o CNE nomeado pelo Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), que é pró-governo. Por lei, a nomeação desse conselho cabe ao Legislativo, hoje chefiado pelo líder da oposição Juan Guaidó.

O TSJ também suspendeu as direções de dois partidos opositores para substituí-los por líderes apontados como relacionados a Maduro.

"Essa é mais uma demonstração de que, com Maduro ainda no poder e em posição de manipular as eleições e seus resultados, não pode haver uma eleição livre e justa na Venezuela", disse Abrams em entrevista coletiva por telefone.

"As condições para eleições livres e justas, na verdade, estão muito piores hoje do que estavam em maio de 2018, quando Maduro realizou eleições presidenciais que democracias ao redor do mundo classificaram como fraudulentas", acrescentou.

Desde janeiro de 2019, quando Maduro assumiu seu segundo mandato, Washington aumentou a pressão sobre a capital Caracas, apoiando os esforços para "restaurar a democracia" encabeçados por Guaidó. Ele foi eleito em 2015 e é reconhecido pelos Estados Unidos e cerca de 60 países como a única autoridade legítima na Venezuela.

"A política geral é negar renda ao regime e continuar a pressionar contra as formas em que o regime opera, particularmente nos setores de petróleo e ouro", declarou Abrams. "Não tenho dúvidas de que isso continuará e mais pressões serão impostas através de sanções e atividades diplomáticas".

O governo Trump aplica regularmente medidas punitivas contra Maduro e seu entorno, mas o governante tem se mantido no poder com o apoio da Rússia e da China, seus principais credores e, ultimamente, do Irã.

Questionado sobre a recente visita de uma delegação norueguesa a Caracas, quase um ano após o fim de uma tentativa de Oslo de mediar relações entre o governo Maduro e a oposição venezuelana, Abrams disse que estava em contato com diplomatas do país europeu, mas se mostrou cético quanto à possibilidade de realmente negociar uma transição para a democracia.

"Não posso dizer que estava muito otimista com essa viagem, porque parece que o regime decidiu que vai seguir com essa eleição falsa. Mas é sempre animador ver os noruegueses continuarem ativos e engajados. E se chegamos ao ponto de ter uma negociação no próximo mês ou ano, creio que é perfeitamente razoável que a Noruega seja a chave", avaliou o diplomata.

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