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Parlamento chama de 'inválida' suspensão de diretório do partido de Guaidó

(Arquivo) O presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. julho 2020 - 19:38
(AFP)

A maioria opositora do Parlamento venezuelano descreveu nesta quinta-feira (9) como "inválida" uma sentença do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que suspendeu o diretório do partido político do líder legislativo Juan Guaidó, Vontade Popular, e entregou o controle do mesmo a um adversário.

Durante uma sessão realizada por videoconferência, a Assembleia Nacional aprovou um acordo para "desconsiderar e rejeitar a sentença inválida" emitida na terça-feira pelo STJ, acusando o tribunal de estar "a serviço dos interesses da ditadura de Nicolás Maduro".

O acordo parlamentar considerava ilegal a nomeação de uma junta diretiva ad hoc, liderada por um opositor de Guaidó, o deputado José Gregorio Noriega, no grupo fundado pelo líder da oposição Leopoldo López.

Dois outros grandes partidos da oposição, o Ação Democrática (social-democrata) e o Primeiro Justiça (centro), foram alvo de sentenças similares em junho, em uma ofensiva judicial antes das eleições parlamentares de 6 de dezembro, contra as quais as principais organizações contrárias a Maduro anunciaram um boicote ao qualificá-las de "farsa".

O Parlamento, o único espaço nas mãos da oposição, reconhece "como legítimas autoridades" do partido López - mentor de Guaidó - e os diretores "legitimamente" escolhidos.

Em janeiro de 2019, Guaidó assumiu a presidência interina da Venezuela, com o apoio dos Estados Unidos e de outros cinquenta países, depois que a maioria opositora da Câmara declarou Maduro como um "usurpador", acusando-o de ter sido reeleito de forma fraudulenta.

Noriega é um aliado de Luis Parra, um legislador que rompeu com Guaidó após ter sido acusado de corrupção em um programa alimentar do governo Maduro e que foi proclamado presidente do congresso em janeiro deste ano, com o apoio do Chavismo, ao mesmo tempo da reeleição do líder opositor.

"São apêndices de uma ditadura que procura manter (...) uma falsa eleição", argumentou Guaidó durante a sessão.

Onze organizações da oposição, incluindo o Vontade Popular, o Ação Democrática e o Primeiro Justiça, anunciaram veto aos votos legislativos logo após a nomeação de um novo diretório do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) pelo STJ, que declarou uma "omissão" do Parlamento em sua função de escolher as autoridades eleitorais.

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