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Rio de Janeiro endurece medidas contra Covid em meio a caos no país

(20 março) Praia de Ipanema fechada devido às medidas de restrição no Rio de Janeiro afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 22. março 2021 - 18:04
(AFP)

O Rio de Janeiro anunciou nesta segunda-feira o endurecimento das medidas contra a Covid-19, em meio à disputa entre prefeitos, governadores e o presidente Jair Bolsonaro, que o governador de São Paulo, João Doria, chamou de "psicopata".

O Rio de Janeiro, com mais de 90% dos leitos de UTI ocupados, e a vizinha Niterói anunciaram 10 dias seguidos de feriado - de 28 de março a 4 de abril - para restringir ao máximo os deslocamentos. Nesse período, será autorizado apenas o funcionamento do comércio essencial, com toque de recolher entre 23h e 5h. Bares e restaurantes só poderão funcionar para delivery e retirada no local.

As praias, proibidas desde o fim de semana, permanecerão fechadas, segundo declarações de autoridades à imprensa. "Esses 10 dias não são uma festa, não são 10 dias para comemorarem nada, é para demonstrar empatia e respeitar a vida", declarou o prefeito do Rio, Eduardo Paes. O rigor das medidas restritivas foi motivo de divergência entre o prefeito e o governador do estado, Claudio Castro, que queria permitir a abertura de bares e restaurantes.

O Brasil registra 295.425 mortos desde o começo da pandemia, segundo dados oficiais. O estado do Rio de Janeiro, com mais de 35 mil mortos, é um dos mais afetados, com 204 mortos a cada 100 mil habitantes, contra 141 no conjunto do país.

O estado de São Paulo, com mais de 91% dos leitos de UTI ocupados, também se encontra sob forte pressão. "Estamos em uma situação de colapso. Enfrento neste momento o pior desafio da minha vida", declarou João Doria à rede de TV CNN.

- 'Psicopata' -

Em outra frente, Jair Bolsonaro recorreu na semana passada ao Supremo contra as medidas de restrição impostas no Distrito Federal e nos estados da Bahia e do Rio Grande do Sul. O presidente tem minimizado a pandemia, promoveu aglomerações com apoiadores, criticou as restrições à atividade econômica e colocou em dúvida a eficácia das vacinas, o que o levou a ser chamado hoje de "psicopata" por João Doria. "Estamos em um desses momentos trágicos da História em que milhoes de pessoas pagam o preço de terem um líder despreparado e psicopata à frente de uma nação", declarou o governador à CNN.

A vacinação avança lentamente no país, com falta de doses e a perspectiva de esgotamento dos insumos necessários à intubação de pacientes. Ante à falta de organização, 2600 prefeituras (mais da metade) formaram um consórcio para tentar comprar vacinas e fazer com que elas cheguem aos municípios, informou o presidente da Frente Nacional dos Prefeitos, Jonas Donizette.

Uma carta aberta assinada por economistas, banqueiros e dois ex-presidentes do Banco Central alerta que, sem resolver o problema sanitário, a economia do país, que registrou uma contração de 4,1% em 2020, não irá decolar. "Esta recessão, assim como suas consequências sociais nefastas, foi causada pela pandemia e não será superada enquanto a pandemia não for controlada por uma atuação competente do governo federal", assinala o documento, que já obteve 500 assinaturas.

Petroleiros de uma refinaria da Petrobras em Minas Gerais entraram em greve por tempo indeterminado nesta segunda-feira, para exigir proteção contra o novo coronavírus.

- Dois ministros da Saúde -

A gestão caótica da crise no país é agravada pela estranha coexistência de dois ministros da Saúde. Bolsonaro anunciou no último dia 15 a substituição do general Eduardo Pazuello, ministro desde maio passado, pelo cardiologista Marcelo Queiroga. No entanto, a nomeação deste último está pendente de publicação no Diário Oficial.

O governo alega que se trata de um "período de transição", mas a imprensa atribui a demora ao desejo de Bolsonaro de buscar outro cargo no governo para Pazuello, a fim de protegê-lo das queixas que estão surgindo por sua gestão da crise na saúde, em particular pelo caos sanitário ocorrido em Manaus em janeiro pelo falta de oxigênio nos hospitais.

A imprensa também menciona a necessidade de que Queiroga abra mão da sociedade em duas clínicas privadas no estado da Paraíba antes de tomar posse como ministro.

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