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Rio de Janeiro fecha praias no fim de semana, com covid fora do controle no país

Foto de 28 de abril de 2020 de salva-vidas na praia de Ipanema afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 19. março 2021 - 12:42
(AFP)

O prefeito Eduardo Paes determinou nesta sexta-feira (19) o fechamento das praias do Rio de Janeiro no fim de semana, na tentativa de conter a disseminação do coronavírus, que está fora de controle em todo o Brasil.

O país atravessa o pior momento da pandemia, com os hospitais de vários estados colapsados e uma campanha de vacinação incipiente.

A média diária de mortes em sete dias dobrou no último mês, de 1.039 em 19 de fevereiro para 2.173 na última quinta-feira neste país com 212 milhões de habitantes.

Os balanços atualizados mostram mais de 290.000 mortes e quase 12 milhões de casos, números superados apenas pelos Estados Unidos.

Das 27 unidades federativas, 25 possuem ocupação igual ou superior a 80% em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

A taxa de ocupação dos leitos de UTI do Rio de Janeiro é de 95%, segundo autoridades. A capital turística do país tinha 620 pacientes internados em centros de terapia intensiva da rede pública até quinta-feira, um recorde desde o início da pandemia no país, em fevereiro de 2020.

A situação é "muito crítica", ressaltou o prefeito do Rio, Eduardo Paes.

A partir de sábado (20), fica proibida "a permanência de indivíduos na praia, incluindo para esporte, banho de mar e atividades econômicas", anunciou Paes em entrevista coletiva, na qual descreveu a situação como "muito crítica".

Tampouco será permitido estacionar na orla - exceto para moradores da região - e será proibida a entrada de ônibus de turismo na cidade.

As autoridades já haviam proibido no dia 5 de março o funcionamento de bares e comércios após as 21h, e a permanência de pessoas na rua, entre 23h e 5h.

Paes disse que anunciará na segunda-feira "medidas mais restritivas", após uma reunião marcada com a comissão científica que o assessora.

Apesar de representar menos risco de contágio do que os locais fechados, as praias cariocas ficam muito movimentadas nos finais de semana, com a maioria das pessoas sem máscara e com grande fluxo de camelôs.

"Faço um apelo aos cariocas. É um momento de ficar em casa. Não estamos prendendo as pessoas em casa, não estamos impedindo as pessoas de sair na rua, mas é o momento das pessoas evitarem o contato, interações, frequentar demais o espaço público", pediu Paes.

Com 17 milhões de habitantes, o estado do Rio de Janeiro concentra 34.697 dos 287.499 óbitos registrados no Brasil até o momento.

É o terceiro estado com maior número de óbitos por 100 mil habitantes (201), atrás do Amazonas (282) e de Roraima (209), segundo dados do Ministério da Saúde.

São Paulo, capital econômica e financeira do país, antecipou uma série de feriados para reduzir a circulação e pediu para que se evite viagens às cidades litorâneas.

A Volkswagen anunciou a suspensão a partir da próxima quarta-feira e por 12 dias da fabricação de veículos em suas quatro fábricas no Brasil (três no estado de São Paulo e uma no Paraná), “com o objetivo de preservar a saúde de seus funcionários e de seus parentes ”, indicou a subsidiária do grupo alemão.

As medidas de combate ao coronavírus adotadas de forma dispersa por governadores e prefeitos não têm sido suficientes para controlar a segunda onda da pandemia ou para convencer o presidente Jair Bolsonaro da necessidade de reforçar o isolamento social.

- Bolsonaro: uma 'hipocrisia' -

O presidente voltou a criticar nesta sexta-feira a decisão de negar o acesso às praias, o que privaria os brasileiros da vitamina D fornecida pelos banhos de sol.

"A vitamina D é uma forma de você evitar que o vírus te atinja com gravidade. Onde você consegue a vitamina D? Tomando sol. Uma hipocrisia", disse Bolsonaro, apesar da falta de evidências concretas sobre os benefícios desse hormônio em relação ao tratamento da covid-19.

Bolsonaro afirmou ainda que o Brasil pode enfrentar um "caos" social se os governos regionais impuserem medidas severas para conter o vírus.

"O caos vem aí. A fome vai tirar o pessoal de casa, vamos ter problemas que a gente nunca esperava ter, problemas sociais gravíssimos", alertou.

A segunda onda coloca todo o sistema de saúde sob estresse máximo e ameaça causar uma escassez de insumos.

O Fórum Nacional de Governadores revelou na quinta-feira que enviou uma carta ao Ministério da Saúde alertando que em 20 dias pode haver escassez de medicamentos para intubar os pacientes.

O Brasil iniciou sua campanha de vacinação em janeiro, com imunizantes do laboratório chinês Sinovac e da sueca-britânica AstraZeneca, mas problemas logísticos causaram atrasos e interrupções e até agora pouco mais de 5% da população recebeu a primeira dose e apenas 2% a segunda.

Bolsonaro nomeou um novo ministro da Saúde nesta semana, o cardiologista Marcelo Queiroga, que disse que poderia fazer "ajustes" na estratégia oficial de combate ao coronavírus.

Mas Queiroga ainda não assumiu oficialmente o cargo ocupado pelo general Eduardo Pazuello, criticado por uma gestão que segundo seus detratores não se afastou da política "negacionista" de Bolsonaro sobre a gravidade da pandemia.

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