Navigation

Venezuela mente sobre número de mortes por COVID-19, dizem HRW e Johns Hopkins

Um homem carrega água em Caracas em 19 de maio em meio à pandemia de coronavírus afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 26. maio 2020 - 20:05
(AFP)

Os números do coronavírus na Venezuela, onde o governo de Nicolás Maduro relatou 10 mortes, são falsos e "absurdos", segundo a Human Rights Watch (HRW) e a Universidade Johns Hopkins.

"Acreditamos que os números, as estatísticas fornecidas pelo governo venezuelano, as estatísticas de Maduro, são absolutamente absurdas e sem credibilidade", disse José Miguel Vivanco, diretor da HRW para as Américas, em uma videoconferência nesta terça-feira (26), apresentando o terceiro relatório das duas organizações sobre a situação humanitária no país sul-americano.

"Em um país onde os médicos nem sequer têm água para lavar as mãos nos hospitais", onde "o sistema de saúde está totalmente em colapso", onde há "superlotação nos bairros e prisões" (...) afirmar que há apenas mil infectados e apenas dez mortos não parece confiável", afirmou.

Segundo o governo venezuelano, até domingo passado o vírus deixou 1.121 infectados e 10 óbitos no país de 30 milhões de habitantes.

Kathleen Page, médica e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, que entrevistou equipes de saúde venezuelanas para o relatório, disse que uma estimativa conservadora colocaria o número de mortos pelo vírus na Venezuela em "em pelo menos 30.000".

- Sem água, sem sabão, sem álcool -

Page disse que o governo afirmou ter feito mais de 300.000 testes para o coronavírus, mas o tipo de exame utilizado (sorológico) tem uma alta taxa de falsos negativos.

"A Venezuela tem 30 milhões de habitantes" e com as condições atuais, quando 25% da população carece de água encanada sistematicamente e precisa sair para buscá-la..., digamos que uma estimativa conservadora seja que 1% esteja infectado com coronavírus", disse.

"Seriam 300.000 casos" e se desses, 10% morressem, "seriam pelo menos 30.000 mortes... Sendo extremamente conservadora", afirmou.

Page disse que "no momento, na Venezuela, 60% dos hospitais reportam falta de luvas ou máscaras" e "mais de 70% não têm acesso à água, sabão ou álcool em gel".

"É uma situação realmente dantesca, onde os médicos precisam trazer sua própria água para lavar as mãos ou beber" e onde os pacientes também não têm água, disse ele.

"Um dos cirurgiões disse que ele tinha que lavar as mãos com a água que cai do ar condicionado" para se preparar antes da cirurgia.

- "Uma bomba-relógio" -

Outros médicos e enfermeiras relataram o mau cheiro "de fezes, vômito e urina" nos hospitais, com familiares dos pacientes limpando banheiros e que às vezes os doentes são convidados a ir ao jardim para se aliviar, acrescentou.

"Isso faz você pensar se é melhor ficar em casa ou ir a um hospital", onde há risco de outras infecções, disse.

A Venezuela, devastada por uma crise sem precedentes e sem água corrente em 70% de seus hospitais, tem "uma ditadura que reprime" jornalistas e equipes médicas que tentam relatar o que está acontecendo, e que "esconde números", segundo Vivanco.

"É uma bomba-relógio", alertou.

Louis Charbonneau, diretor da HRW para as Nações Unidas, instou a comunidade internacional a "pressionar a Venezuela a abrir suas portas para que uma ampla ajuda humanitária liderada pela ONU chegue ao país".

"Instamos o secretário-geral António Guterres e o coordenador de ajuda humanitária da ONU, Mark Lowcock, a liderar esses esforços" e o governo de Maduro a permitir que equipes médicas e humanitárias realizem seu trabalho "sem medo de represálias".

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.