Pesquisadores de Genebra descobrem que medicamento antigo pode ajudar a combater a resistência aos antibióticos
A resistência aos antibióticos é um problema crescente em todo o mundo. Até 2050, a resistência aos antibióticos poderia matar 10 milhões de pessoas por ano, segundo uma estimativa.
Keystone / Laurent Gillieron
Pesquisadores da Universidade de Genebra descobriram que um medicamento contra herpes descoberto há mais de 50 anos pode facilitar a defesa do sistema imunológico contra uma bactéria comum e mortal.
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Geneva researchers find old drug helps fight antibiotic resistance
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A bactéria Klebsiella pneumoniae é muito comum em hospitais, causando muitas infecções respiratórias, intestinais e do trato urinário. Como muitas outras bactérias, ela se tornou cada vez mais resistente aos antibióticos atuais. Como resultado, algumas cepas têm sido fatais para 40% a 50% das pessoas infectadas.
Uma equipe da Universidade de Genebra (UNIGE) descobriu agora que a edoxudina, uma molécula antiherpes descoberta nos anos 60, enfraquece a superfície protetora da bactéria Klebsiella e as torna mais fáceis para as células imunes atacá-las. Estes resultadosLink externo foram publicados na revista PLOS ONE.
“Desde a década de 1930, a medicina depende de antibióticos para se livrar das bactérias patogênicas”, explicou Pierre Cosson, professor do Departamento de Fisiologia Celular e Metabolismo da Faculdade de Medicina da UNIGE, que liderou a pesquisa. “Mas outras abordagens são possíveis, entre as quais tentar enfraquecer o sistema de defesa das bactérias para que elas não possam mais escapar ao sistema imunológico”.
Ele acrescenta que esta abordagem é particularmente promissora porque a força da Klebsiella pneumoniae deriva em grande parte de sua capacidade de escapar aos ataques das células imunes.
Para determinar se o medicamento tinha funcionado para enfraquecer as defesas das bactérias, os cientistas da UNIGE utilizaram um modelo experimental baseado na ameba Dictyostelium. Este organismo de célula única se alimenta de bactérias capturando-as e ingerindo-as, usando os mesmos mecanismos que as células imunes usam para matar patógenos. “Nós modificamos geneticamente esta ameba para que ela pudesse nos dizer se as bactérias que encontrou eram virulentas ou não”, disse Cosson.
Isto tornou possível testar milhares de medicamentos existentes e identificar aqueles que reduziram a força da bactéria. O medicamento antiherpes edoxudina mostrou ser promissor pela maneira de como altera a camada superficial que protege a bactéria do ambiente externo.
Ao contrário de um antibiótico, este medicamento não mata a bactéria, o que “limita o risco de desenvolver resistência, uma grande vantagem de tal estratégia antivirulência”, disse Cosson.
A eficácia do tratamento não foi confirmada em humanos, mas os pesquisadores dizem que os resultados até o momento são encorajadores.
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