Indústria e OMS vão lutar contra a malária
Pela primeira vez a indústria farmacêutica e órgãos públicos de saúde se associam para combater uma epidemia nos países pobres. Foi lançada terça-feira em Genebra a OMA, operação medicamentos anti-palúdicos, para pesquisar novos remédios contra a malária
A operação medicamentos anti-palúdicos (OMA) lançada nesta terça-feira, em Genebra, é a primeira iniciativa concreta em grande escala para combater uma epidemia tropical, no caso a malária. Dependendo do sucesso dessa operação, outras doenças tropicais poderão ser atacadas.
Após anos de negociação, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Federação Internacional da Indústria do Medicamento (FIIM) chegaram a um acordo para reunir as competências do setor público e privado na pesquisa, desenvolvimento e comercialização, a baixo preço, de novos remédios contra a malária. Outras instituições participam como o Banco Mundial, a Fundação Rockefeller e a Agência suíça para o Desenvolvimento e a Cooperação.
Existem 300 mil novos casos de malária e 1 milhão de mortos por ano (1 a cada 2 minutos), 90 p/cento na África, segundo dados da OMS. A epidemia está em expansão devido a degradação das condições sanitárias em muitos países mas também devido à resistência do parasita aos medicamentos existentes.
Daí a necessidade urgente de descobrir novos remédios. Acontece que a indústria farmacêutica não se interessa pelas doenças tropicais porque os países pobres não constituem um mercado atraente. Calcula-se que a pesquisa e descoberta de um novo remédio custa, em média, 500 milhões de dólares, que só poderão ser rentabilizados através da comercialização.
Através da OMA, os laboratórios colocam à disposição a pesquisa e desenvolvimento e o setor público as pesquisas universitárias e de campo, além dos recursos financeiros necessários. 8 pessoas vão trabalhar na coordenaçâo do projeto. O orçamento previsto inicialmente é de 150 milhões de dólares e os primeiros novos médicamentos contra a malária devem ser comercializados em menos de 10 anos. (cg)
Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.