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Cartaz da exposição Julio Verne. swissinfo.ch

Ver o Chile de Pablo Neruda ou a Abissínia de Rimbaud, entrar no Salão da cultura africana e percorrer o planeta com Julio Verne.

A 18a edição do Salão Internacional do Livro e da Imprensa, em Genebra, vai de quarta-feira (28.4) a domingo.

«Depois de 17 salões, temos uma durabilidade … Nosso Salão não desapareceu, como outros”, constatava recentemente em uma coletiva à imprensa o fundador e diretor da manifestação, Pierre-Marcel Favre.

Como exemplos, ele citada o salão de Lyon, na França, que não existe mais, ou o de Bruxelas, que fechou e depois reabriu, com aspirações mais modestas. Enquanto isso, o Salão de Genebra recebe regularmente um grande público. Embora alguns reclamem do seu aspecto “feira”, essa é uma razões do sucesso.

4 pontos cardeais

Este ano, a manifestação é inegavelmente um apelo à viagem e à abertura que ela propicia.

O principal exemplo é o “1° Salão Africano do Livro, da Imprensa e da Cultura”, apoiado pela DDC, a agência suíça de cooperação e desenvolvimento, com dois objetivos declarados: “dar mais visilibilidade à imensa riqueza do continente africano e um incentivo ao desenvolvimento sustentável na África”.

Outro exemplo é o Chile como convidado de honra, que já teve um Premio Nobel de Literatura, em 1945, ganho por Gabriela Mistral, além do poeta Pablo Neruda, em que se celebra o centenário do nascimento, este ano. Mas o Chile também vai mostrar a literatura contemporânea, menos conhecida na Suíça.

Dois anos atrás, o convidado de honra foi o Brasil.

Outra viagem é uma exposição dedicada ao francês Arthur Rimbaud, poeta e viajante com imagens que o fotógrafo suíço Benoît Lange trouxe da Etiópia – a Abissínia nos tempos de Rimbaud – como parte da exposição.

Viagem também com outro Verne, Henri, criador do personagem de quadrinhos Bob Morane, em 1953 e já viveu 150 aventuras exóticas. O belga Henri Vernes estará em Genebra para a exposição Super Bob.

Sem contar, claro, Julio Verne, tema da “Grande Exposição” do Salão, este ano.

“O universo de Julio Verne

“Fabuloso como “fábula” ou como “extraordinário”? “Como extraordinário”, responde imediatamente Eric Weissenberg, médico genebrino, secretário-geral da Sociedade Julio Verne e colecionador apaixonado.

“Julio Verne é um artista. Ele foi considerado como romancista da ciência mas ele nunca foi isso. Ele sempre foi um artista que utilizou a ciência como um homem de teatro faz uso de acessórios ou de cenários”, explica.

É bom lembrar que foram feitas numerosas adaptações das obras de Julio Verne para crianças e adolescentes. Se elas foram benéficas para seus editores, nem sempre o foram para a reputação literária da obra.

Como contar o escritor francês através de uma exposição? “Quisemos mostrar com cartazes modernos – cinema, publicidade etc – que o mundo de Julio Verne é muito vivo até hoje e será ainda mais comentado no centenário de sua morte, em 2005”, afirma Eric Weissenberg.

São apresentados também muitos documentos da época: desenhos originais de seus ilustradores, fotos que pertenceram a Julio Verne etc.

A maior parte do material apresentado em Genebra pertence a Eric Weissenberg. “É curioso expostos em um grande espaço objetos que geralmente estão em gavetas ou rolos de papel em cima dos armários”, conclui.

Além do livro

Além de outras exposições no Salão, haverá também um percurso pelas ruas de Genebra para visitar os lugares onde autores famosos hospedaram-se. Vai de um café literário em um famoso hotel da cidade onde ficaram Mary Shelley e Frankenstein mas também seguir os traços de Rosseau, Ludwig Hohl, Dostoïeviski e Albert Cohen.

swissinfo, Bernard Léchot à Genève
Adaptação, Claudinê Gonçalves

O Salão vai de 28 abril a 2 de maio 2004.
São 30.000 m2, 300 expositores e 120.000 visitantes, em média, em cada edição.

– Como sempre, vários salões são integrados ao Salão do Livro e da Imprensa: Europ’Art, Salão do Estudante, Salão da Música e, pela primeira vez, um “Salão Africano do Livro e da Imprensa e da Cultura.”

– O Salão do Livro e da Imprensa também é um espaço de debates e encontros, com várias atividades programadas durante os cinco dias da manifestação.

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