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“Adoro ensinar violão”

Joaquim Freire começou a tocar aos seis anos. Por curiosidade e prazer. estudou violão clássico em Genebra e Paris. Apesar dos concertos e gravações, sua preferência é ensinar.

Filho de gente famosa (o pedagogo Paulo Freire), pode-se perguntar, já de início, se o renome do pai ajudou ou atrapalhou sua carreira.

“Meu pai era uma pessoa fantástica, com quem tive relação maravilhosa. Mas não ajudou no sentido de facilitar minha carreira, e eu nunca quis tirar proveito disso”, responde o artista, descartando a idéia.

Mas em tom de reconhecimento, Joaquim fala, porém, de como foi estimulado pelo pai – que gostava de violão clássico, principalmente das músicas de Bach – a enveredar pelo caminho que iria seguir. Por isso mesmo, com seis anos, começou a arranhar um violão em seu Recife natal.

Os amores pelo instrumento continuaram no Chile, onde a família viveu o primeiro exílio desde 1964. Vale lembrar que o golpe militar no Brasil colocou por terra os projetos de promoção social de Paulo Freire.

Após uma estadia de 4 anos em acolhedoras terras chilenas, segue-se um ano de residência nos Estados Unidos, antes de os Freires se estabelecerem definitivamente na cidade suíça de Genebra.

Professores brasileiros

O estudo sério do instrumento – “o encontro com o violão clássico” – começou para Joaquim depois dos 13 anos, no Conservatório da mesma cidade, na classe da violonista Maria Lívia São Marcos.

Curiosamente, ele vai ter na Europa mais dois professores brasileiros: Turíbio Santos, em Paris, dois anos depois e por período de um ano, e, de regresso à Suíça, Dagoberto Linhares. Com Linhares, com quem estuda virtuosidade, tira uma “licence de concert”.

A essa altura já se dera conta da complexidade do instrumento cujas dificuldades são geralmente comparadas às do violino.

“As pessoas acham que o violão é fácil pelo fato de servir freqüentemente de acompanhamento”, lembra Joaquim. Mas talvez não de dêem conta de que o violonista faz com uma mão o que o pianista faz com duas: melodia e acompanhamento. “É muito complicado”, conclui, acrescentando que “se o violino é muito difícil, o violão não fica longe…”.

Paixão pelo ensino

É com esse exigente instrumento de trabalho que ele começa a ganhar o pão, há 30 anos, dando recitais e tocando em concertos na Inglaterra, Espanha, Suécia, Itália, Brasil … e, principalmente na Suíça, onde reside.

Mas sua preferência, particularmente nos últimos anos, vai para o ensino: “Adoro ensinar, adoro o contato principalmente com as crianças. O violão é uma paixão para mim. E comunicar essa paixão é algo muito estimulante”, diz o artista.

E Joaquim ensina a alunos de todos os níveis, “do iniciante ao artista virtuose”. Mas emociona-se em particular com a criança que “começa a descobrir e a entender as coisas. É fantástico”, entusiasma-se.

Isso é possível, porém, somente quando há interesse… Na avaliação de Joaquim Freire professor, a não ser que se queira se profissionalizar, o essencial não é o dom. É que a criança goste do que faz: “A noção de prazer que a criança (ou o adulto), vive através da música é o mais importante”.

Apreço por Villa-Lobos e Marlos Nobre

No Conservatório de Friburgo, Joaquim Freire tem 43 alunos. Sobra então menos tempo para recitais e concertos.

E também para gravações. Mas nos CDs que gravou deu atenção aos compositores latino-americanos, tendo particular estima pelo mexicano Manuel Ponce, Villa-Lobos e Marlos Nobre que “adora”.

Aliás, a maior emoção de sua carreira veio do concerto do mestre Villa-Lobos para violão e orquestra que considera “o mais bonito no repertório do violão”.

Joaquim conta que num concurso feito na Colômbia, ele tocava no final da prova esse concerto para Villa-Lobos. No segundo movimento da peça, quando o violão responde ao violoncelo, ele diz ter conseguido uma tal cumplicidade com o violoncelista que até hoje conserva bem gravado em sua memória esse “momento bonito”.

Note-se que ele ficou com o segundo prêmio, mas como foi o do público, acha que valeu tanto ou até mais que o primeiro.

Hoje Joaquim Freire, 48 anos – mas aparentando menos – vive em Clarens (ao lado de Montreux), com a esposa, Suzanne Mebes, que também é violonista clássica, aliás muito elogiada pela crítica especializada. Suzanne é para Joaquim uma parceira de recitais e concertos. Gravou em dupla com ela dois CDs.

swissinfo, J.Gabriel Barbosa

Natural de Recife, Joaquim Freire, 48 anos, reside desde os 13 na Suíça, onde estudou violão clássico. Com alguns CDs gravados solos ou em dupla com a esposa, Suzanne Mebes, ele dedica-se em particular ao ensino – uma de suas paixões – no Conservatório de Friburgo.

Adora Villa-Lobos, Manuel Ponce, Marlos Nobre e Benjamin Britten, entre outros.

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