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Brasileiros têm seus hobbies na Suíça

Maurício Goldstein redescobriu a paixão do esporte. swissinfo.ch

Deixar o país nem sempre é fácil. Nem tudo o que se gosta pode ser colocado no contâiner da mudança. Mas muitos executivos aproveitam essa oportunidade e dedicam-se a um "hobby".

Longe da família e da rotina brasileira, os expatriados encontram mais tempo para fazerem o que gostam – e às vezes até o que não gostam.

Foi assim que Miguel Menezes, de 42 anos, resolveu entrar para o coral Gesangverein, com 170 anos de história em Basiléia. Ele é engenheiro químico e tinha cantado durante a adolescência em Minas Gerais.

“Quando estava na faculdade, cheguei a fazer parte do coral da Unicamp mas logo que comecei a trabalhar tive de parar de cantar”, conta. A rotina dos escritórios e das viagens afastou-o dos palcos.

Coral com 170 anos de tradição

Depois de algum tempo na Suíça, Miguel foi convidado por uma colega da Clariant para conhecer o coral. Ele submeteu-se a um teste e passou. “Nem acreditei porque o nível técnico do grupo é alto e desde 1987 não participava de um coro”, lembra-se. Ele tem mesmo motivo para se orgulhar. Seu coral já foi regido por Johannes Brahms. Desde que entrou para o grupo, Miguel freqüentou aulas semanais de canto. “Aprendi com meus colegas, com o maestro e sei que melhorei muito tecnicamente”, conta.

Em janeiro, ele mudará com sua família para o México, mas na agenda de providências está a procura de um outro coral. Na opinião dele, o hobby facilita a integração na outra cultura. “Hoje tenho amigos suíços graças ao coral”, explica.

Baiana no samba carioca

Longe da família e da rotina brasileira, os expatriados encontram mais tempo para fazerem o que gostam – e às vezes até o que não gostam. É o caso de Suzana Kertesz, de 32 anos. Baiana e fã do carnaval soteropolitano, Suzana admite que não gostava do samba das escolas cariocas.

“Não me interessava pelo carnaval do Rio e nem mesmo por cantar um samba”, lembra-se. Quando chegou à Suíça para trabalhar na Novartis, foi levada por uma amiga à escola Sambrasiléia, em Basiléia, Suzana interessou-se não só pelo som do tamborim, mas também pela oportunidade de encontrar pessoas fora do ambiente de trabalho. “Hoje gosto de tocar muitos sambas e não falto aos ensaios da escola”, diz.

Gosto pela bicicleta

A tranqüilidade de andar pelas ruas de Basiléia a pé ou de bicicleta foi rapidamente percebida e bem aproveitada por Mauricio Goldstein, 36 anos. Logo depois que o engenheiro paulista mudou-se para Suíça, há 4 anos, começou a sair de bicicleta.

Em pouco tempo arrumou companhia de alguns colegas da Novartis e passou a buscar informações sobre o esporte. “Entrei no que chamo de um ciclo virtuoso: troquei minha bicicleta, comprei novos equipamentos e minha condição física melhorou muito”, conta.

Não foram poucos os fins de semana em que Maurício ia até Delèmond e voltava. Em 2006 o executivo voltará para o Brasil, mas já está fazendo planos para manter o bom hábito. “Quero pedalar com grupos em São Paulo porque é mais seguro tanto em relação a acidentes como a violência”, diz.

Violão e composição

Já o administrador Maércio Rezende, executivo da Syngenta, chegou a Basiléia com a família e um velho amigo: seu violão. Ele sempre compôs e antes de sair do Brasil gravou um CD. “Gostei da experiência e aqui tenho me dedicado ao estudo da música”, conta.

Maércio é autodidata, mas ao longo desses dois anos tem estudado harmonia e não parou de compor. “Aqui fiz mais de 20 músicas e penso em gravar um disco com músicos suíços ou brasileiros”, diz.

O amor pela música teve seu começo na adolescência. Fã dos Beatles e da Bossa Nova, ele nunca deixou de tocar com seus amigos e primos. Maércio trabalha e viaja muito, mas sempre encontra tempo para ficar num cantinho, com um violão – mesmo longe do Corcovado.

Swissinfo, Lourdes Sola

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