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Capital alemã é pólo de atração para suíços

Suíços como a fotógrafa e vídeo-artista Christine Hunold procuram inspiração na capital alemã (foto: Gleice Mere). swissinfo.ch

Aproximadamente dois mil suíços ligados ao setor de produção cultural vivem em Berlim.

A fotógrafa e video-artista suíça Christine Hunold, como os demais, vê a metrópole como um pólo cultural importante e passa seis meses em busca de novos horizontes da cidade.

Berlim é uma cidade que, como o Rio de Janeiro, possui uma atmosfera especial.

Perdoem-me os fãs de Paris, Nova York ou Tóquio mas essa histórica capital tem impregnada em suas ruas e avenidas a história política do continente Europeu. Seja ela do período da invasão Napoleônica, da opressão do último imperador da Prússia, das guerras mundiais ou do período da guerra fria.

Seis meses de imagens

Berlim é uma cidade alemã atípica e cosmopolita. Em sua última visita à Alemanha, poucos meses antes de seu assassinato, o presidente Kennedy afirmou essa internacionalidade ao pronunciar com seu forte sotaque inglês a histórica frase em alemão: “eu sou um berlinense”.

Estrelas como o fotógrafo berlinense Helmut Newton compartilhava dessa opinião e, depois de haver se radicado em Nova York, dizia não sentir falta da Alemanha mas tinha saudades incomensuráveis de Berlim, onde fez questão de ser sepultado.

Muitos suíços também compartilham da visão de Berlim cosmopolita e, de acordo com estimativas da embaixada suíça em Berlim, há aproximadamente dois mil suíços ligados à produção cultural que vivem nesta cidade. Entre eles a video-artista Christine Hunold, que passou seis meses fotografando a capital.

Em busca de novos horizontes

A vida cultural pulsante que corre nas veias berlinenses já foi palco e inspiração para artistas alemães e do mundo inteiro mas em poucas obras o real e o surreal estão presentes e intersecionados como nas paisagens berlinenses de Christine Hunold, apresentadas até o dia 30 de julho na sala de recepção da embaixada suíça em Berlim.

“Em meu trabalho artístico o que me interessa é a reação das pessoas ao virem minhas imagens, sejam elas de vídeo ou fotografia. Cada um vê o que quer ver”, afirma a fotógrafa e video-artista suíça.

Christine permaneceu seis meses na capital alemã através de uma bolsa cultural financiada pelo cantão suíço de Argau, que possui um ateliê fixo na cidade. Com o intercâmbio em Berlim, artistas suíços de Argau têm a oportunidade de ampliar seus horizontes ao desenvolver um trabalho artístico independente de filões comerciais.

Vídeos suíços

Residente em Zurique, Christine Hunold é professora na Faculdade de Artes Visuais de Luzerna “Luzern Hochschule für Gestaltung und Kunst” e em uma escola secundária em Zurique. Mas é do trabalho com alunos da escola secundária que a artista fala com mais entusiasmo.

“Muitos de meus alunos adolescentes vêm de famílias estrangeiras residentes na Suíça. Na maior parte dos casos suas famílias são de exilados políticos, fugitivos de guerras. Isso ocasiona uma visão particular de suas vidas nesse novo país, para eles divido em linguagens distintas. A imagem de vídeo ou fotográfica é então uma forma de expressão independente da expressão oral e contemporânea no meio adolescente”, afirma Christine.

A beleza do horizonte

Durante semanas a artista percorreu as ruas berlinenses a fim de desenvolver um conceito que pudesse transmitir em imagens a sua idéia sobre a cidade. Queria mostrar o céu, o horizonte, porque eles estão presentes em qualquer lugar do mundo.

“O horizonte é um elemento importante para mim, pois é o começo e o fim de espaços distintos. Em outros trabalhos havia explorado a visão do céu e queria fazer o mesmo nas ruas de Berlim ao tirar fotos com uma perspectiva de baixo para cima, partindo do meio da rua. Mostro uma Berlim não turística, onde os visitantes ou berlinenses nunca estiveram, onde se está em Berlim e em nenhum outro lugar, onde todos nós olhamos mas nunca podemos viver, represento uma realidade como se o mundo fosse um disco”, completa.

Áreas vazias

Para examinar a cidade a fotógrafa ia de metrô até estações finais, depois voltava caminhando pelas ruas até chegar a seu ateliê. Ela queria conhecer a periferia para não se limitar a mostrar a Berlim dos cartões postais. Ficou impressionada com a quantidade de apartamentos e áreas vazias existentes na cidade.

Um fato inimaginável em Zurique, que além de ter poucos imóveis disponíveis, apresenta aluguéis astronômicos. Christine também diz ter a impressão de Berlim estar sendo reconquistada pela natureza pois as árvores crescem em todas as partes, principalmente nas áreas desocupadas.

Fora das zonas turísticas

Além disso, em muitos lugares parece que a vida deixou de existir de um dia para o outro e o que ficou para trás foram fragmentos. Percepções resgatadas em suas caminhadas por fábricas abandonadas e pelos pátios internos das casas, estrutura arquitetônica característica da cidade.

“Nas fachadas das casas parece que tudo está modernizado, mas logo que se penetra em um pátio interno vê-se que nem tudo foi reformado, além de ter-se a impressão que não há pessoas nos espaços internos, pois os transeuntes estão concentrados nas zonas turísticas”, completa.

A Berlim de Helmut Newton, de Marlene Dietrich ou da suíça Christine Hunold é a Berlim das infinitas possibilidades. Um lugar onde cada um vê e sente o que quer. Uma cidade quase sem fronteiras para a imaginação, ao mesmo tempo pulsante e adormecida pelos seus espaços vazios à espera de novos ocupantes.

swissinfo, Gleice Mere em Berlim

– fotos tiradas: 3500
– fotos editadas: 300
– série de cartões postais publicada: 10 fotos
– Apartamentos vazios nos bairros de Berlim: Marzahn (60%), Neuköln (14%) e Berlin-Mitte (12%).
– Áreas de fábricas abandonadas na cidade: Spandau (7 hectares), Plänterwald (29 hectares) e Lichtenberg (50 hectares).

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