Cinema pernambucano exibido na Suíça
Até o final de maio, 4 curtas metragens produzidos e rodados em Recife estão sendo exibidos em Lausanne, oeste da Suíça.
Três documentários e um filme de ficção produzidos e rodados em Recife, no Brasil, são mostrados no Zinema, uma sala do circuito alternativo de Lausanne, oeste da Suíça. Todos foram produzidos graças às leis municipais e estaduais de incentivo à cultura.
Simião e Capiba
“Simião Martiniano, o camelô do cinema”, de Clara Angélica e Hilton Lacerda, é um documentário sobre um cineasta autodidata, autor e produtor de mais de 30 filmes e que ganhou o prêmio de melhor curta metragem brasileiro em 1998.
O filme mostra o cotidiano de um homem simples e apaixonado pelo cinema e que conta histórias sem se questionar sobre o valor estético ou técnico de sua obra.
“Capiba, 86 anos se deus quiser”, de Francisco Amorim, é um clipe musical que relata a paixão do grande músico pelo frevo. Capiba dizia que os próprios pernambucanos estavam acabando com o frevo mas que ele faria 86 anos, “se deus quiser”, no ano 2000. Morreu aos 83 anos, em 1997.
“A visita”, de Hilton Lacerda, é uma ficção em que a vida de uma dona de casa se transforma e se transtorna, a partir do dia em ela abre a porta de sua casa para um estranho e resolve seguí-lo.
A série de quatro projeções termina com “Chantecler, a bela da noite”, da pernambucana Mariângela Galvão e do suíço Patrick Tresch. Chantecler era um bordel de luxo muito freqüentado nos anos 50, tempos áureos do porto do Recife.
Fôlego para longa metragem
Hoje o prédio está em ruínas mas os autores do documentário entrevistaram ex-prostitutas e ex-clientes do Chantecler. Elas são pobres e moram nas favelas do Recife. Algumas casaram-se com mainheiros e partiram para a Grécia. Eles são advogados, políticos, artistas e professores aposentados.
Todos falam do Chantecler com muita nostalgia e respeito, dos tempos de boemia, de um lugar onde se aprendia a dançar e a amar, de um tempo que não volta mais.
Uma ex-prostituta e um ex-cliente visitam as ruinas, explicam o que havia e como funcionava o Chantecler.
O filme aborda também os problemas ligados à restauração do velho Recife, numa seqüência um pouco longa mas que não tira a sensação de que a história do Chantecler teria fôlego para um belo longa metragem.
A pequena mostra do que se faz atualmente no cinema pernambucano fica no Zinema, em Lausanne, até 28 de maio.
swissinfo/Claudinê Gonçalves
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