Cresce o interesse pela literatura romanda
Pesquisadores e professores universitários dos cinco continentes participaram de um seminário na Universidade de Lausanne sobre a literatura da Suíça francesa.
O interesse pelas literaturas francófonas aumenta também no Brasil e em Portugal.
A literatura francesa ainda tem um peso muito grande nos estudos literários, mas ela vem sendo relativizada pelas outras literaturas francófonas existentes na Suíça francesa, na Bélgica, nas Antilhas, no Quebec (região canadense de língua francesa) e na África.
Descobrir e aperfeiçoar
É justamente o que preconizava Charles-Ferdinand Ramuz, um dos escritores romandos mais conhecidos e lidos no estrangeiro.
Durante duas semanas, 26 pesquisadores e professores universitários dos cinco continentes participaram de seminário sobre a literatura romanda, organizado pelo Centro de Pesquisas das Letras Romandas (CRLR) da Universidade de Lausanne.
Intitulado “para ensinar a literatura romanda no mundo”, o primeiro seminário do gênero na Suíça era destinado a descobrir a paisagem literária da Suíça francesa ou aperfeiçoar os conhecimentos dos participantes de 17 países.
“Foi muito bom, mas talvez um pouco longo; tencionamos repetir a experiência, talvez de dois em dois anos”, afirmou a swissinfo Daniel Maggetti, diretor do CRLR.
“No Brasil a literatura da Suíça francesa entra como componente de um contexto maior de comunidade simbólica com outras literaturas”, afirma Maria Luíza Berwanger da Silva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
“Essa abertura começou com a literatura latino-americana e continua com outras literaturas que não seja só a francesa especificamente. É como se houvesse uma tentativa de apagar a matriz, substituindo-a por literaturas plurais, inclusive brasileiras. Acho que a presença de literaturas em francês de outras regiões também legitima e justifica a presença da literatura francesa”, explica a professora gaúcha.
Identidade e globalizaçao
Em Portugal, os estudos franceses sofrem uma profunda reformulação, segundo a professora Maria Hermínia Amado Laurel, da Universidade de Aveiro.
“Essa questão é ligada, por um lado, à da da própria identidade portuguesa, mesmo se os portugueses questionam a própria identidade desde a época dos descobrimentos. Não podemos separar a abertura às francofonias da abertura às lusofonias também. Por outro lado, julgo que há uma certa resistência à globalização na qual se inserem os estudos sobre as várias francofonias.”
De acordo com Maria Hermínia, há um interesse cada vez maior pela descoberta de novos autores de expressão francesa. “Em várias universidades portuguesas existem disciplinas opcionais em estudos francófonos e sobretudo na pós-graduação”.
Ela afirma ainda que não se trata de questionar mas de relativizar o “enorme peso” que a literatura francesa teve em Portugal.
O seminário na Universidade de Lausanne teve a presença de especialistas em literatura, teatro, poesia e de escritores como Daniel de Roulet, Hugo Loetscher, Michel Layaz e Rose-Marie Pagnard.
Apesar da Suíça francesa ter apenas 19% da população suíça, os cerca de quinze editores de literatura romanda publicam uma centena de títulos por ano. Eles são lidos essencialmente na própria região, com exceção de alguns autores mais conhecidos editados na França.
Mesmo assim, ela é ensinada atualmente, geralmente como disciplina optativa, em universidades no Japão, Austrália, Senegal e Rússia, entre muitos outros países.
swissinfo, Claudinê Gonçalves
A Suíça francesa tem 19% da população suíça.
Cerca de 15 editores de literatura que publicam uma centena de títulos por ano.
– 26 pesquisadores e professores de 17 países participaram do seminário “para ensinar a literatura romanda no mundo”.
– O seminário foi organizado pelo Centro de Pesquisas em Letras Romandas da Universidade de Lausanne, com apoio da Fundação Pró-Helvétia, que também envia livros de literatura para as universidades onde a disciplina é ensinada.
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