Davos: “Antes que seja tarde demais”
A imprensa suíça é majoritariamente cética seguda-feira frente às promessas feitas em Davos pela elite mundial acerca da luta contra a aquecimento global.
Somente alguns comentaristas veêm aspectos realmente positivos no balanço na 37a edição Fórum Econômico Mundial (WEF).
“Davos parece um pouco com Beverly Hills: qualquer que sejam as brigas de família na novela, ele termina sempre com final feliz”, afirma ironicamente o diário Le Temps, de Genebra, que vê nos sorrisos estampados pelos participantes do WEF, “um otimismo enganador”.
Em editoria, o Neue Luzerner Zeitung e o Bund, de Berna,
denunciam um Fórum “de eficácia limitada”. O jornal bernês cita a perda de credibilidade dos líderes políticos e dos executivos com ganhos excessivos, como demonstrou uma recente sondagem do Instituto Gallup.
Para os dois jornais, Davos “não provocará jamais compromissos reais da comunidade de Estados” e o único resultado são as parcerias feitas espontaneamente entre empresas.
Prioridade ao crescimento
Para o jornal La Liberté, de Friburgo, o balanço do WEF é “bastante fraco”. Se os líderes desse mundo tomaram consciência o aquecimento climático “eles mantêm como primeira prioridade o crescimento econômico”.
O diário friburguês lembra que, segundo um estudo publicado na véspera da aberturada do WEF, “somente 20% dos líderes consideram a proteção do meio ambiente como prioritária”.
Ainda no tema do aquecimento climático, o editorial do Tages Anzeiger, de Zurique, lembra a o slogan “antes que seja tarde demais”. O jornal afirma que ainda se encontra em Davos com gente que considera essa preocupação como pura histeria, mas que esses grupos parecem cada vez mais “pequenos e exóticos”. Mas o jornal constata que o WEF também demonstrou que “não existe remédio milagroso”.
«Quase chato»
“Não houve explosão em Davos”, afirma em manchete o Basler Zeitung, de Basiléia. A boa conjuntura reforçou o otimismo de um Fórum que não trouxe grandes surpresas no plano político nem no econômico.
O mesmo tom é encontrado no St-Galler Tagblat, de St-Gallen, que vê no WEF “esperanças, mas sem entusiasmo”.
“Foi quase chato”, afirma o Berner Zeitung, de Berna. Davos 2007 foi uma “oportunidade perdida”. Se o WEF quer, como dizia seu slogan “melhorar o estado do mundo”, deveria então ter “encontrado compromissos concretos frente ao desafio que constitui para a humanidade inteira a luta contra o aquecimento climático”, afirma o jornal bernês em editorial.
OMC: sem prazo previsto
Quanto ao anúncio da retomada das negociações do ciclo de Doha, na Organização Mundial do Comércio (OMC), durante a reunião organizada pela ministra suíça da Economia, Doris Leuthard, ele é considerado pelo jornal La Liberté como “morno” porque não fixado qualquer prazo.
O Le Temps não é mais entusiasta quanto à retomada das negociações da OMC. “Se os cow-boys chegaram a um acordo foi porque deixaram os revólveres no vestiário” e eles estão com os “tambores carregados”.
No final, esse Fórum foi “menos glamouroso” que os anteriores e não mereceu destaque no diário popular Blick, de Zurique. O popular em francês Le Matin publicou segunda-feira apenas algumas fotos da modelo alemã Claudia Schiffer e do cantor Peter Gabriel, reunidos dentro de um iglu por jovens empresários no WEF com o slogan “CO2 em baixa, lucros em alta”…
Positivo, apesar de tudo
Opinião diferente na imprensa suíça foi a do L’ExpressL’Express, de Neuchâtel, que vê em Davos “um novo estado de espírito que mescla escuta, compreensão e às vezes oportunismo, reflexo das dúvidas – alguns dirão crise – do capitalismo”.
Ainda mais claro é o Südostschweiz, dos Grisões (leste da Suíça) que viu os empresários presentes em Davos “assumir suas responsabilidades” no WEF 2007, que foi “um dos mais frutuosos dos últimos anos”.
Segundo o jornal, isso talvez seja o efeito das manifestações que marcaram os encontros precedentes e que colocaram “a elite do mundo” sob pressão e provocaram essa “vontade de realmente mudar as coisas”.
swissinfo
O Fórum Econômico Mundial foi fundado pelo suíço Klaus Schwab em 1971, com o nome de “Management Symposion de Davos”.
Desde então, o WEF é anual e ocorre sempre na estação de inverno dos Alpes suíços, com exceção de 2002, quando foi realizado em Nova York, depois dos atentados do World Trade Center, quatro meses antes.
A edição 2007 teve 2.400 participantes de 90 países e teve como tema principal “A evolução com equilíbrio de forças”.
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