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Design helvético faz sucesso em Milão

Turn Table parece uma estante comum de 8 prateleiras. swissinfo.ch

Design helvético aponta novas tendências e tecnologias durante a principal quermesse internacional do setor em Milão.

Milão é a capital mundial do design. O Salão Internacional do Móvel é a hora da prestação de contas de quem cria novos produtos ou aperfeiçoa os já existentes.

A Suíça marca presença com arquitetos e empresas renomadas e designers ainda em busca de um lugar ao sol. O país confirma a fama de ser um pólo gerador de idéias interessantes e soluções inovadoras.

O arquiteto Mario Botta, autor da polêmica reforma do teatro La Scala, compareceu com um jogo de espelhos que são distribuídos em modulo separados. A linha suave da moldura, em madeira de lei, acompanha o desenho das pétalas da flor margarida. Cada um reflete a inspiração na natureza. Uma vez dispostos em círculos não deixam dúvida quanto ao motivo gráfico do produto.

Mas as “pétalas de touliper” não são fixas umas nas outras e podem ter dimensões diferentes entre si. Isso permite uma margem de manobra na criação de um desenho na parede tão grande quanto a imaginação. A idéia do arquiteto suíço foi produzida por uma empresa italiana, a Horm.

Prêmios de design

O caminho inverso ocorreu no setor do banho. A empresa suíça, a Laufen foi buscar nas técnicas antigas e artesanais a solução para dar vida ao projeto do designer italiano Stefano Giovannoni.

Ele criou uma pia na forma de um velho tambor de guerra. Ainda assim ela è moderna, estilizada e alta. Esta última característica influenciou no processo de produção. A peça corria o risco de sair distorcida por causa da natureza da matéria-prima. Por isso, os suíços tiveram que trabalhá-la artesanalmente segundo as técnicas antigas de elaboração da porcelana. Assim eles acabaram por desenvolver uma nova tecnologia para tratar a cerâmica.

Os helvéticos não satisfeitos ainda ousaram ao produzir as pias assimétricas desenhadas pela dupla de arquitetos Roberto e Ludovica Palomba. O projeto ganhou dois dos mais consagrados prêmios do design internacional. O desenho inspirado nos movimentos do mar deu ao casal o Design Plus e o Hot Dot Award. A forma suave e irregular da bacia atesta uma espécie de transição entre a geometria cartesiana e o traço orgânico da natureza. Assim, o design suíço vai conquistando espaço num mercado cada vez mais competitivo e amadurecendo novos talentos.

MoMa de Nova Iorque

Paralelo ao Salão Internacional do Móvel existe o Salão Satélite. Nele, jovens dos cinco continentes apresentam os seus trabalhos. Um grupo de designers famosos como a curadora do MoMa de Nova York, Paola Antonelli e o projetista Richard Sapper, escolheu os 510 participantes. Pela primeira vez o número de estrangeiros superou o de italianos. E quatro suíços estão entre os selecionados.

Sven Adolph já trabalhava com designer industrial dando forma a produtos eletrônicos. De uns tempos para cá decidiu partir para o setor de mobiliário. Deu certo. O seu criado-mudo serviu de passaporte para a grande mostra. Com três braços, encaixes embutidos – não existe nenhum parafuso à vista- e um apoiador no meio, antes da estrutura chegar ao chão, a peça atraiu muitos curiosos no pequeno stand deste habitante de Zurique.

O mesmo ocorreu com Marco Roffi, vizinho de Sven alguns metros mais na frente. O arquiteto criou uma estrutura modular eclética. Turn Table é um daqueles móveis que parece uma estante comum de 8 prateleiras na posição vertical. Mas num piscar de olhos ela vira na horizontal. Uma sofisticada engrenagem interna permite que cada prateleira gire ao redor do próprio eixo modificando completamente o desenho original.

Abajour

No mesmo pavilhão estao ainda a IdConnect DesignSolutions, com sede em Schaffhausen e a Big Game de Lausanne. A primeira apresentou uma confortável poltrona com revestimento a ar. Já a segunda trouxe alguns troféus de caça em madeira encaixada marcando a filosofia de valorizar a tradição em tempos modernos. Ou seja, nada de cabeça de animal empalhada, mas sim uma cópia.

Na mesma linha seguem outros objetos como o velho e conhecido abajour tradicional. O toque contemporâneo está na base de aço. Ela se alonga até se transfomar numa haste, facilitando a vida de quem, quando muda de ambiente, gosta de levá-lo junto consigo.

swissinfo, Guilherme Aquino, Milão

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