Distância ajuda a entender o Brasil
A escritora e artista plástica carioca Regina de Arx está há 17 anos na Suíça e diz que a distância ajudou-a a compreender melhor o Brasil.
Ela tem mais dois livros prontos para o ano que vem e participa da coletânia “Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras”, que será lançada em meados de setembro.
Regina von Arx vive perto de uma floresta, longe do burburinho da cidade grande, que o bonde vai deixando para trás até parar no vilarejo de Oberwil, na região de Basiléia.
“Preciso de tranqüilidade principalmente para pintar; para escrever é em qualquer lugar”, explica logo de início a carioca radicada há 17 anos na Suíça, mas cada vez mais andarilha. Ela também é representante no país da Rede de Escritoras Brasileiras (REBRA.
Dois inéditos
O primeiro livro de contos, Vícios, sairá no ano que vem. “São dez textos inspirados em pessoas que tiveram seus corpos e almas dominados por algum vício durante uma fase de suas vidas”, afirma.
Outro livro de 30 poemas e fotos com lançamento também previsto para 2005 é Denúncia, que Regina von Arx pretende transformar em algo muito maior.
Com o livro ela pretende denunciar “a falência do sistema educacional brasileiro que criou o menor carente”. A autora pretende associar editores brasileiros e europeus a um projeto social que ela chamou de Poesia (paz, obrigação, educação, saúde, iniciativa, alimentação).
“Minha meta é plantar uma pequena semente para tentar realizar o sonho de não existirem mais crianças famintas e sujas caminhando pelas ruas onde nasci”, afirma Regina.
A autora reconhece que o fato de estar na Suíça, muito distante fisicamente do Brasil, “ajudou e enxergar a problemática de outra maneira e a criar o compromisso de tentar fazer alguma coisa”.
Caleidoscópio
Agora está de malas prontas para ir a Miami no lançamento, em 16 de setembro, de “Brava Gente Brasileira Em Terras Extrangeiras”, uma Antologia coordenada por Angela Bretas com 30 poetas expatriados em que Regina participa com dez poemas. Posteriormente haverá lançamentos em outros países inclusive, provavelmente, na Suíça.
“Quando cheguei na Suíça tentei ter outras atividades profissionais mas não fui bem sucedida. Isso foi muito bom para mim porque me permitiu descobrir aspectos do meu interior que estavam adormecidos”, afirma.
Regina escreve desde os 14 anos de idade mas as publicações começaram mais recentemente. Em 2003, publicou À flor da pele pela Editora Litteris (RJ), uma coletânea de 56 poemas.
“Este livro é a própria leitura do amor, a tradução perfeita da visão de uma mulher acerca do mundo e de suas tantas emoções”, afirma a autora.
Em 2004, a Livraria Letras e Expressões (RJ) publicou Espelhos, com 82 poesias. “É um caleidoscópio da minha vida com temas como Brasil, Rio de Janeiro, Suíça, amor”, explica Regina.
Outra descoberta
Outra paixão de Regina von Arx em que a Suíça tem parte da responsabilidade é a pintura. Em 1997, depois de um longo período de introspecção e questionamento, a escritora descobriu que podia pintar.
Fez algumas experiências e chegou até a inscrever-se num curso, em Basiléia, que abandonou na primeira aula “porque não era nada daquilo”. De lá para cá, em perfeita autoditada, já participou de três exposições com seus quadros abstratos.
Ela conta que nunca usa pincel mas palha de aço e utensílios de cozinha. Procura também novos materiais além de tela, como papel, papelão, metal e molduras diferentes das convencionais.
Como Regina von Arx consegue conciliar as duas artes? “É por período. Tem fase que eu pinto e praticamente não escrevo. Aí preciso de calma e trabalho quando estou sózinha. E tem época que escrevo e não pinto. É uma coisa de cada vez”.
swissinfo, Claudinê Gonçalves
Radicada há 17 anos na Suíça, Regina von Arx é escritora e artista plástica.
Livros publicados:
– À flor da pele (poesia)
– Espelhos (poesia)
Participação em Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras (dez poemas), antologia com 30 autores a ser lançado em meados de setembro.
Inéditos:
– Vícios (contos);
– Denúncia (poesia), ambos com publicação prevista para 2005.
Pintura: participou de três exposições na Suíça.
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