Estrela nascente de África
Moçambique comemora 30 anos de independência e crescimento de 8% ao ano. NYT já o considera uma das esperanças da África.
swissinfo convida o leitor a viajar por Moçambique através de uma série de reportagens, fotos e áudios e explica por que os suíços gostam tanto de lá.
O jornalista não economiza em adjetivos. Ele já abre seu texto chamando Moçambique de “A Estrela nascente de África”. A reportagem foi publicada na edição de domingo do New York Times, num artigo de primeira página do suplemento de turismo.
As fotos coloridas mostram praias, barcos à vela na baía de Inhambane e locais em Maputo. “Depois de anos de guerra civil, Moçambique, país de 1.500 milhas de praias no Oceano Indico, está a transformar-se num dos destinos mais atraentes de África”, descreve.
Mas ele esquece de falar de outras surpresas moçambicanas. Por exemplo, os nomes de algumas ruas e avenidas de Maputo: “Kim il Sung”, “Vladimir Lenine”, “Karl Marx”, “Patrice Lumumba”, “Salvador Allende” ou “Guerra Popular”.
Elas lembram o passado revolucionário de Moçambique, país que declarou há trinta anos suas independência, depois de séculos de colonialismo português.
Viva o presente
Hoje os pedestres parecem não ter tempo para lembrar dessas histórias. Eles pensam mais no presente, na dificuldade de encontrar emprego e nos preços elevados dos aluguéis e alimentos. As ruas estão repletas de “chapas”, as pequenas vãs que são o transporte público popular e também responsável pelos primeiros engarrafamentos da capital moçambicana. Quem não tem dinheiro vai a pé para o trabalho.
Assim como em outras metrópoles africanas, Maputo está cheia de favelas, mas também já dispõe de restaurantes modernos, lojas de telefonia celular e mesmo shoppings centers. Neles já se vê os primeiros jovens representantes da classe média, consumindo e assistindo filmes americanos.
Também os jornais do país estão cheios de críticas. O “Domingo” publica um editorial que conclama os leitores a deixarem o espírito do “deixa-andar”, uma expressão comum e que representa a corrupção e o desleixo na classe política e mesmo na população. O presidente Armando Guebuza, no poder desde fevereiro de 2005, promete que tudo vai melhorar.
especial swissinfo
Durante quatorze dias o repórter da swissinfo viajou por Moçambique: da capital Maputo e passando pelas províncias de Nampula e Cabo Delgado, no norte, até Pemba, uma cidade hoje freqüentada por turistas sul-africanos e que dispõe do hotel mais luxuoso do país.
O objetivo dessa série de reportagens é mostrar diferentes facetas de Moçambique, um país com 800 mil metros quadrados, uma população de apenas 18,4 milhões de pessoas e uma economia que está a prosperar. Só seu produto interno bruto cresce a uma média quase 8% ao ano, um recorde africano.
O especial também aborda a ligação secular entre o Moçambique e a Suíça, lembrando que os primeiros comerciantes helvéticos já estavam fazendo sua fortuna no país por volta de 1730, e que líderes revolucionários chegaram mesmo a ser educados nas escolas da missão suíça. Hoje, o país dos Alpes colabora anualmente com 34 milhões de francos para que Moçambique saia da pobreza.
África perdeu visibilidade
E a pobreza é grande: Moçambique continua nos últimos lugares dos índices mundiais de mortalidade e condições de vida. A expectativa de vida dos homens não passa dos 40 anos e das mulheres, 42. Mais de 14% da população é soropositiva.
Além disso, o país é tão dependente da ajuda externa como um diabético da insulina. Segundo o Banco Mundial, Moçambique e São Tomé e Príncipe são atualmente os únicos países africanos aonde mais da metade do Produto Interno Bruto vem de doações internacionais. Para muitos especialistas, essa situação é prejudicial.
– Toda essa ajuda para a África deveria ser cancelada, pois só faz financiar uma gigantesca burocracia, corrupção e vaidade e, ao mesmo tempo, condicionar os africanos a posição de mendigos e dependência. Essa ajuda também enfraquece nossos mercados e iniciativa empresarial – afirma o economista queniano James Shikwati, fundador da “Inter Region Economic Network”, para o jornalista da revista alemã Spiegel.
Para moçambicanos como o escritor Mia Couto, a África necessita mercados abertos e investimento na educação e iniciativa privada (ler entrevista e discurso no especial).
Frente ao apocalipse diário das notícias, swissinfo mostra que Moçambique dá os primeiros sinais de que pode dar certo. Tão certo, que os países doadores possivelmente escolheram o país para ser um bom exemplo na África, um continente que também tem muito a oferecer, como já cantava Bob Dylan nos anos 70:
“I like to spend some time in Mozambique
The sunny sky is aqua blue
And all the couples dancing cheek to cheek.
It’s very nice to stay a week or two…”
swissinfo, Alexander Thoele
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