Filme de Taiwã leva Grand Prix de Fribourg
No encerramento do Festival de Cinema de Friburgo, na Suíça, domingo 18/3, o júri internacional atribuiu o principal prêmio ao filme "Yi Yi" (e um e dois), de Edward Yang, Taiwã. Sinal da "predominância do cinema asiático", quatro outros prêmios recompensaram obras da Ásia. O filme brasileiro em concurso não levou nada e dois outros salvaram a honra da América Latina de que o festival apresentou uma retrospectiva reunindo 30 obras de valor, inclusive várias brasileiras.
O Grand Prix “le regard d’or” (o olhar de ouro) do Festival recompensou um filme que, apesar de longo – 3 horas de duração – agradou ao júri internacional por apresentar “em alguns retratos memoráveis, os jogos da paixão, da memória e da desilusão”. O prêmio é modesto. Não chega a 10 mil dólares para o realizador e mais de 6 para a distribuição. Mas abre boas perspectivas de difusão da obra.
Um prêmio em Friburgo é excelente cartão de visita. Trata-se do único festival da Suíça voltado para o esquecido cinema da África, Ásia e América Latina e um dos raros que privilegiam a cinematografia dos “países do Sul”. E um de seus objetivos é sensiblizar espectadores e profissionais da sétima arte a outras linguagens cinematográficas.
As 12 obras em concurso em Friburgo este ano, foram mais representativas do continente asiático. Nove vinham da Ásia, 1 da África e 2 da América Latina: “Quase Nada” (Sérgio Rezende, Brasil), “Hacerse el Sueco” (bancando o sueco, de Daniel Díaz Torres, Cuba), e “Las Cenizas del Volcán” (cinzas do vulcão, de Pedro Pérez Rosado, México/Espanha).
Se “Quase Nada” deixou o júri indiferente, “Las Cenizas del Volcán” recebeu o prêmio do “júri da imprensa política”. Esse filme hispano-mexicano traça “um quadro dos numerosos e complexos problemas” no Estado de Chiapas, México, fornecendo chaves para soluções políticas eqüitáveis.
“Hacerse el Sueco” recebeu uma menção especial do júri ecumênico pela lição de vida do povo cubano diante da adversidade “a alegria de viver”. Recebeu também o Prêmio do Público, como aconteceu no último “Festival de Cine Latinoamericano”, de Havana.
Outros prêmios:
– Melhor cenário: “XIAO BAI WU JIN JI” (murmúrios ocultos), de Vivian Chang, Taiwã
– Júri da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica: “ZHANG TAI” (a plataforma), China. O mesmo filme recebeu a recompensa do Júri da Federação Internacional dos Cine-clubes.
– Júri Ecumênico: “WO JIAO A-MING LA” (“os amontoados” – uma incursão bem sucedida no mundo dos vagabundos de Taipé) de Singing Chen, Taiwã. Esse filme recebeu também o prêmio especial suíço ACAT (Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura e da pena de morte).
– Júri dos Jovens: “XIAO BAI WU JIN JI” que também foi contemplado com uma menção especial do Júri da Federação Internacional de Cine-clubes.
O fraco desempenho latino-americano no 15° Festival Internacional de Cinema de Friburgo, de 11 a 18 março, é atribuído pelo diretor do evento, Martial Knaebel, à qualidade ainda deficiente da atual cinematografia da América Latina. Quanto ao Brasil, ele fala de uma “recuperação”, com maior incentivo governamental, realçando que “a produção vai muito bem, mas não a qualidade… E acrescenta que filmes que imitam Hollywood não entram na ótica do festival friburguense.
Quanto à retrospectiva latino-americana deste ano, reunindo 30 filmes, com algumas obras importantes abarcando período de 70 anos, de 1930 a 2000, ela serviu para mostrar o vigor da cinematografia da região, inclusive do Cinema Novo, no Brasil. E coube a uma obra brasileira – “Domésticas, o Filme” – o privilégio de encerrar o festival. O filme agradou pela sua autenticidade e leveza. Os realizadores faz o espectador entrar no mundo sem perspectivas da empregada doméstica.
A destacar que algumas obras projetadas no festival de Friburgo serão apresentadas em 30 outras cidades suíças.
A filosofia do festival continua sendo mostrar como, pelo cinema, os outros vêem o mundo e como vêem a si mesmos . Procura ao mesmo tempo promover a distribuição de uma cinematografia esquecida da África, Ásia e América Latina, que anualmente produzem mais da metade dos filmes do mundo.
J. Gabriel Barbosa
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