Friburgo abre-se para cinema mundial
No domingo começa o 17o Festival Internacional de Cinema em Friburgo. 87 filmes estarão serão exibidos, incluindo produções brasileiras e africanas.
“Jenin…Jenin”, documentário do cineasta palestino Mohamed Bakri sobre o ataque do exército israelense à Jenin é um dos destaques do evento.
O Festival Internacional de Cinema de Friburgo está longe de ter o glamour ou a importância dos grandes festivais que ocorrem em Berlim, Cannes e São Sebastião.
Porém, ninguém em Friburgo espera uma invasão de estrelas, jornalistas e fãs à caça de autógrafos. O objetivo do evento na bucólica cidade suíça é mostrar o “crème-de-la-crème” do filme estrangeiro alternativo, que normalmente nunca chega as salas de cinema.
“Nesse contexto mundial complicado que vivemos, mais do que nunca é preciso compreender as sensibilidades dos outros povos. Cineastas são as pessoas ideais para apresentar visões da realidade dos seus países, nos dando pistas de reflexão”, afirma Rachel Brulhart, diretora do Festival, no seu texto de apresentação.
Imigração como tema de filme
Por esse motivo, os organizadores escolheram o filme “Esperando a sorte”, do cineasta africano Abderrahmane Sissako, para abrir o evento no domingo.
Essa obra conta a história de um rapaz de 17 anos, que pretende abandonar a Mauritânia para ir a Europa. Na sua viagem pelos desertos, oceanos e países, “Abdallah” é confrontado com os diferentes idiomas que ele não compreende e também a insegurança no caminho rumo ao “paraíso europeu”. Trata-se de um tema atual no continente e mostra a dura realidade da imigração, nos olhos dos africanos.
O diretor Abderrahmane Sissako também tem uma história parecida. Ele abandonou Nouadhibou, na Mauritânia, para estudar cinema em Moscou, na Rússia. Hoje o cineasta africano é conhecido internacionalmente. No Festival de Cinema de Cannes seu filme recebeu o prêmio especial da crítica.
Em Friburgo, onze longas-metragens estão concorrendo ao “Regard d’Or” e o “Prêmio Especial do Juri”, os principais prêmios do Festival. Seis das películas vêm da América Latina. Os outros são obras de cineastas do Irã, Índia, Tunísia e China.
Documentário sobre conflito palestino
Nesse ano, pela primeira vez, o Festival organiza um concurso de documentários. Dez filmes, vindo de dez diferentes países, estarão concorrendo entre si. Dentre as películas que serão exibidas destaca-se o documentário “Jenin…Jenin”, do cineasta palestino Mohamed Bakri.
O documentário foi realizado poucos dias depois da invasão de Jenine por parte do exército israelense. “Eu quis fazer um filme sobre o sofrimento, um filme para todas as mães palestinas”, explica Bakri. O cineasta palestino dedica sua obra ao produtor Iyad Samudi, morto pelos soldados israelenses poucos dias depois da conclusão das filmagens.
Além da exibição de filmes, os organizadores oferecem uma série de seminários sobre temas relativos ao cinema. Os espectadores poderão discutir sobre a “recepção de filmes asiáticos, latino-americanos e africanos na Europa” ou a “poética no cinema africano”.
swissinfo, Alexander Thoele
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