The Swiss voice in the world since 1935

“Gosto de música desconhecida”

Rogério dá logo o tom: “O que não é conhecido e bonito, eu adoro”. swissinfo.ch

As preferências do fagotista paranaense, Rogério Gonçalves, vão para o famoso Rameau que ele compara a Mozart, outro preferido.

O artista tem no entanto particular interesse pela música “não conhecida e bonita”.

Rogério Gonçalves, 33 anos, realizou sua verdadeira formação de instrumentista em Basiléia e Genebra. Mas quando chegou à Suíça já tocava fagote e integrava um grupo de música antiga em Londrina, sua terra natal. Foi, porém, na Schola Cantorum Basiliensis e no Conservatório de Genebra que recebeu bases sólidas para tocar e ensinar fagote, instrumento que conheceu somente aos 14 anos.

“Gosto do exótico”

Mas falando de música erudita, Rogério dá logo o tom: “O que não é conhecido e bonito, eu adoro”.

Na música antiga, Rogério prefere o que chama de “exótico”. Não vê nenhuma vantagem de gostar, por exemplo, de uma Paixão Segundo S. João, de J.S. Bach. É maravilhosa, todos gostam. Mas diz se sentir muito mais envolvido “pelos compositores que não são tocados e têm músicas maravilhosas”.

É dentro dessa lógica que gravou há dois anos o compositor barroco austríaco, Gregor Joseph Werner (1693-1766), mestre-de-capela – ou seja responsável pela música sacra – no castelo Eszterházy (o “Versalhes húngaro”), onde Joseph Haydn – 39 anos mais novo – se ocupou de música profana.

A obra de Werner gravada é o Callendarium Musicum, em que o compositor pegou o ano de 1748 e fez uma suíte instrumental para todos os meses.

Nessa música descritiva, o mestre-de-capela mostra o caráter de cada mês: o inverno em janeiro, por exemplo, o carnaval em fevereiro; mostra as catástrofes, signos astrológicos, tudo, diz Rogério, entusiasmado, em particular, com os malabarismos revelados nos minuetos relativos aos 12 meses do ano.

Alguns mestres

Dos grandes mestres barrocos, o maior é J.S.Bach, reconhece Rogério Gonçalves. Händel não ficaria atrás. O fagotista tem predileção, no entanto, por Jean-Philippe Rameau. Rameau que ele compara com Mozart, com Bach, Haendel, Karl-Philip Bach (este mais para o final do barroco, já transbordando para o clássico).

Se tivesse que escolher duas ou três obras, o fagotista ficaria com a Flauta Mágica, ópera de Mozart, Les Indes Gallantes, ópera de Rameau e a Missa Scala Aretina, do espanhol Francisco Valls.

Com Valls voltamos aos compositores pouco conhecidos. O espanhol ocupou entre outras funções a de mestre-de-capela na catedral de Barcelona e “escreveu muita música sacra bonita”. Rogério gosta, aliás, de destacar compositores espanhóis do século XVII “que ninguém toca ainda”, mas em cujas obras “a polifonia é fantástica”.

Pérolas no Brasil

O artista paranaense manifesta grande interesse também pela música colonial brasileira. Igualmente pela música portuguesa da época, “quando Brasil era Portugal”.

O melhor é José Maurício Nunes Garcia, de talento reconhecido, constata Rogério. Mas “há outras pérolas”, as obras de Antonio dos Santos Cunha, André da Silva Gomes (de S.Paulo), José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita (1746? – 1805).

Ainda recentemente o fagotista colaborou intensamente na gravação com o conjunto Turicum, de Zurique, dos Responsórios para ofícios da sexta-feira santa, de Antonio dos Santos Cunha. O CD deve ser lançado brevemente.

A respeito dessas e outras obras de compositores brasileiros da época colonial, Rogério Gonçalves destaca que eles compuseram música “nos moldes europeus, mas com tempero brasileiro”, revelando uma escritura que não existe na Europa.

E por isso mesmo, mereceriam ser conhecidos mais do que são atualmente.

swissinfo, J.Gabriel Barbosa

Mais lidos

Os mais discutidos

Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR