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Novo desafio de Bejart

Se o projeto de encenar "Madre Teresa" surpreende, pode também causar admiração que aos 75 anos, Maurice Béjart, conhecido e famoso, ainda se lance no desafio de transformar uma classe de sua Escola-Ateliê Rudra em nova companhia de balé.

Esse desafio o coreógrafo o vê como “um recomeço”, em consonância com sua filosofia de vida: “Acho necessário se questionar continuamente, criar novos problemas. É assim que se progride”, diz ele.

A Companhia M, será integrada por 15 bailarinos. Todos da Escola Rudra, sucessora da Escola Mudra, que marcou a dança moderna.

Caráter internacional

Concluído o curso, esses bailarinos têm pouca dificuldade em encontrar trabalho em companhias prestigiosas. Mas desta vez, Béjart disse que preferiu “conservá-los”, investindo o próprio dinheiro nesse projeto.

Criada em 1992, a “Ecole-Atelier Rudra Béjart Lausanne” é uma escola multidisciplinar em que a dança constitui a base principal. Rudra é gratuita, acolhendo alunos do mundo inteiro.

Como é conhecida nos meios artísticos da dança, chegam pedidos de matrículas do mundo inteiro. E como há muitos candidatos, só os melhores conseguem entrar.

Hoje os alunos podem vir tanto da França, da Itália ou da Alemanha, países vizinhos, como do Brasil, Argentina, República Checa ou Coréia…

Inteligentes e burros

É difícil definir o perfil de um bailarino da escola Béjart. O próprio coreógrafo acha que “a qualidade de sua companhia é a diversidade”

E acrescenta: “Há os que têm boa técnica, os emotivos, os bonitos, os menos bonitos. Pessoas muito mais diferentes que em outras companhias, acho. Às vezes bons comediantes que não eram bons bailarinos, às vezes o contrário. Tenho sempre essa imagem da humanidade em que há grandes e pequenos, gordos e magros, dotados e não dotados, inteligentes e babacas”.

Em relação à classe de Rudra que se torna uma companhia, jovens de 15 a 17 anos, Márcia Haydée que se associa a Béjart para a estréia do grupo, estima ter papel polivalente: “Procuro ser professora, orientadora. Para esses jovens sou uma mãe”. Um pouco no espírito de Madre Teresa de Calcutá.

Swissinfo/J.Gabriel Barbosa (colaborou Bernard Léchot).

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