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“O jazz popularizou o trompete”

Nemos' Quintet (foto: Marc Ducrest) Marc Ducrest

Se os egípcios dos faraós já o conheciam e o instrumento teve certa projeção no período barroco, houve pouco obras para o trompete no classicismo e o romantismo o ignorou.

Já o jazz fez muito pelo instrumento, observa o trompetista Érico Fonseca.

Com a fogosidade de seus 22 anos de idade, Érico Oliveira Fonseca, brasileiro de Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, pode falar horas sobre um instrumento que escolheu para sua profissão de músico. A escolha ocorreu aos 11 anos ao ouvir Winston Marsalis interpretando umas variações de Carnaval de Veneza (“o meu chapéu tem 3 pontas”). E desde então, para ele, o trompetista norte-americano é um deus.

O impulso recebido pelo jazz

Como lembra Érico, o trompete já existia no tempo dos egípcios, há mais de 3 mil anos. É claro que evoluiu muito, sendo o jazz o principal responsável pelo desenvolvimento da parte técnica do instrumento.

“No século XX, nessa área tem muita gente boa”, constata o artista. O primeiro grande, ou melhor “enorme” jazzista, é Louis Armstrong. Vieram depois, entre outros, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Fred Hubbard, Jon Fadis…

Mas entre os trompetistas da atualidade, Érico Fonseca não troca ninguém pelo australiano James Morrison, que considera um músico “incrível”.

A conclusão do friburguense é que o jazz foi um gênero musical “muito importante para o instrumento, tornando-o mais popular” e trazendo enormes aperfeiçoamentos técnicos…

Na setor da música clássica, o aporte dos compositores variou de período a período.

Fase de esquecimento

Na época barroca, ele não foi olvidado por Vivaldi, Bach, Teleman, Haendel, Purcell ou Torelli, entre outros.

No Classicismo, há apenas dois concertos importantes para trompete – ou melhor, o “Klappentrompete”, de 4 válvulas: o concerto de Haydn e o de Hummel, sendo o primeiro nitidamente de maior valor, nos dizeres do músico friburguense.

No Romantismo, o trompete foi ignorado. O violino e, em particular o piano dominaram completamente. “O piano foi o instrumento do século XIX”, lembra Érico. E, de fato, basta pensar em grandes nomes como Beethoven, Schumann, para não falar de Mozart que é do século anterior.

Resgate

Felizmente no século XX, o instrumento é resgatado do esquecimento. E para sua valorização conta muito a peça intitulada “Légende”, composta no início do século por George Enescu.

Depois o instrumento foi privilegiado por outros compositores como o suíço Arthur Honegger e o alemão Paul Hindemith. Este último escreveu uma grande sonata para trompete e piano.

Na França – para não falar da influência russa e de obras como as de Alexander Ariutiunian – muitos compositores escreveram para trompete. Entre eles se destacam Henri Tomasi (1901-1971) e André Jolivet (1905-1974) “que compuseram os dois concertos para trompete e orquestra considerados os mais importantes para o instrumento”.

O prodígio russo

E se no país, desde meados do século, muitas obras foram dedicadas ao instrumento é por influência do grande trompetista francês Maurice André, hoje septuagenário.

E por falar de intérpretes, Érico não deixa de mencionar o legendário trompetista russo, Timofei Dokshizer, doze anos mais velho que André e dois grandes nomes de uma geração mais próxima: o alemão Rheinhold Friedrich e o sueco Hakan Hardenberger.

Mas Érico Fonseca admira em particular por Sergei Nakariakov , de 27 anos atualmente, “o prodígio do trompete” que ficou famoso muito cedo.

Um prodígio que certamente gostaria de igualar, “do alto de seus 22 anos”, como se diria em francês.

swissinfo, J.Gabriel Barbosa

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