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Onze filmes brasileiros em festival de Genebra

Realiza-se em Genebra, até dia 26, novo festival consagrado ao cinema latino-americano. O evento reúne 44 filmes e apresenta Walter Salles como "exemplo da renovação do cinema brasileiro". Dá destaque aos direitos humanos e dos povos indígenas...

Promovido pela cidade de Genebra, pela Direção Suíça de Desenvolvimento e Cooperação (DDC), o festival que começou dia 8, é organizado pela associação “Cinéma des trois mondes” (cinema dos 3 mundos) que é integrada ao renomado Instituto Universitário de Estudos do Desenvolvimento (IUED).

A segunda edição desse festival intitulado “Regards sur les cinémas d’Amérique Latine” (olhares sobre os cinemas da AmLat) apresenta um panorama geral da produção cinematográfica latino-americana, exibindo o que há de melhor na cinematografia recente da região.

Uma das características da mostra, segundo seu diretor, Gérard Perroulaz, é projetar “o creme do que foi recentemente apresentado em outros festivais”, e não filmes inéditos; é “revelar a grande diversidade e certa renovação do cinema de países da região”, destacando nesta segunda edição a temática dos direitos humanos e dos direitos dos povos autóctones.

Entre os onze filmes brasileiros que figuram no programa encontra-se por exemplo, “Central do Brasil”, primeiro prêmio do Festival de Berlim em 1998, obra de Walter Salles. Para Gérard Perroulaz, o cineasta brasileiro traz contribuição interessante ao cinema: “um enfoque socialmente consciente dos problemas do país”. Mas ao mesmo tempo realiza filmes “destinados ao grande público”.

Ao lado de “Central do Brasil”, o festival mostra outras obras mais engajadas de Salles, como “Jovens Guerreiros das Favelas” e “Terra Estrangeira”.

É também importante o espaço ocupado pela Argentina e Chile, dois países que ainda cicatrizam feridas deixadas por ditaduras militares. Nessa perspectiva figuram “Botín de guerra” (D.Blaustein) e “Garaje Olimpo” (M.Bechis).

Voltado para a ficção e o divertimento mencionem-se entre as dez outras “películas” argentinas: “El Lado Oscuro del Corazón” (E.Subiela) e o impagável “Yepeto” de (E.Calcagno).

As marcas deixadas pelo regime militar parecem mais visíveis na produção chilena presente no festival: “Images d’une dictature” (P.Henriquez) e “La luna en el espejo” (S.Coiozzi).

Em colaboração com Arte, rede européia de televisão, o festival genebrino acrescenta um toque de alegria com uma série de filmes consagrados à riqueza musical latino-americana: bolero, tango, ritmos afro-cubanos, bossa nova: Bossa Nova (W.Salles), Caetano Veloso (idem), Marcelo Alverez en busca de Gardel (N.Fichman), Trem Caipira (G.Brintrup e Fábio Araújo), Ray Barreto (G.Arnaud), Compay Segundo, una leyenda cubana (C.Santiago).

Num capítulo consagrado ao teatro e à literatura, o festival apresenta dois filmes sobre o famoso escritor argentino, Jorge Luis Borges, sua vida, obra e sua íntima relação com a cidade de Genebra, onde está enterrado (Los libros y la noche, e Un amor de Borges).

Nessa mesma vertente mencione-se o filme “El colonel no tiene quien le escriba” do mexicano A.Ripstein, baseado no célebre conto do mesmo nome de Gabriel Garcia Marquez.

“Muitas problemáticas estudadas no Instituto Universitário de Estudos do Desenvolvimento podem se esclarecer pelo cinema”, constata Gérard Perroulaz.

O festival termina dia 26.

J.Gabriel Barbosa










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