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Portugal em destaque no “Salão do Livro”

O Salão torna-se a maior livraria da Suíça durante 5 dias Keystone

A 15a. edição do "Salon International du Livre" de Genebra - de 27 de abril a 1° de maio - revela aspectos desconhecidos ou ignorados da cultura portuguesa. O público terá ocasião de constatar que a literatura portuguesa vai além de Saramago, Pessoa e Camões. Evento paralelo destaca o cinema português.

A literatura portuguesa não tem o destaque que merece na Europa. As pessoas mais bem informadas e o apaixonados por livros, já ouviram falar de Camões, podem ter lido uma ou outra obra do eminente poeta, Fernando Pessoa, ou do escritor José Saramago, que estourou depois que recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1998.

O Salão Internacional do Livro e da Imprensa (combinado a exposições paralelas: Europ’Art, Multimédia, Educa e Musica) deve preencher um pouco dessa lacuna trazendo à mostra os autores portugueses mais reconhecidos. Fora dos 3 mencionados, podem-se apontar: António Lobo Antunes, Alice Vieira, Pedro Tamen, Manuel Alegra, Mário de Carvalho, Isabel Alçada, Ana M. Magalhães, Fernando Echevarría, Nuno Júdice e vários outros.

Vale assinalar que debate sobre o romance português conta com a presença de J.Saramago, 78 anos, no sábado, 28/4 (18h). O tema (“les visages du roman portugais contemporain”) reúne também em torno de uma mesa: Agustina Bessa-Luís, Lídia Jorge, Mário de Carvalho, e Eduardo Prado Coelho.

Pode-se lamentar que não se dê maior destaque à poesia portuguesa que tem produção de peso em Portugal, país que gerou muitos poetas, sendo no passado, Camões e Pessoa as estrelas de maior grandeza.

O Salão de Genebra que tem Portugal como convidado de honra – depois da Feira de Frankfurt em 1997 e do Salão de Paris no ano passado – contribuirá certamente para exportar também os autores modernos praticamente desconhecidos no exterior, como os que participam na mesa redonda sobre o perfil do romance português. E Porto como “capital européia da cultura” (juntamente com Roterdã) contribui igualmente para divulgar a literatura do país.

A presença de Portugal no Salão deixa certamente ciosos os 135 mil portugueses residentes na Suíça, onde representam cerca de 10 por cento da população. Oficiosamente o número é maior, levando em conta os clandestinos. Só em Genebra há 30 mil portugueses, oficialmente. (Oficiosamente cerca de 50 mil).

E como falamos em cifras, a imprensa chega a avançar o número – provavelmente exagerado – de 10 mil publicações de obras em Portugal, onde haveria mil e duzentos editores. Não se pode porém duvidar que mais de 50% da produção é exportada para o Brasil.

Paralelamente ao “Salon du Livre”, o cinema português terá igualmente divulgação no CAC (Centre d’Animation Cinématrographique, rue Voltaire) em Genebra.

De 27 de abril a a 20 de maio no quadro de “printemps portugais” (primavera portuguesa), a programação gira em torno do renomado cineasta Manoel de Oliveira. Estão previstas projeções:

– Canção da Terra (1938) de Jorge Brum do Canto
– Amor de Perdição (1943) de António Lopes Ribeiro
– Inês de Castro (1944) José Leitão de Barros
– Capas Negras (1947) de Armando de Almeida
– Saltibancos (1952) de Manuel Guimarães
– Conversa Acabada (1982) de João Botelho
– Um Adeus Português (1985) de João Botelho
– Ossos (1997) de Pedro Costa
– Requiem (1997) de Alain Tanner
– O Rio do Ouro (1998) de Paulo Rocha

E de Manuel de Oliveira:
– Aniki-Bobo (1942)
– Os Canibais (1987)
– Vale Abraão (1992)
– Viagem ao Princípio do Mundo (1997)
– A Carta (1999)

O governo português mostrou-se interesse pelo Salão enviando o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime da Gama, para participar na cerimônia de abertura do Salão, ao lado da ministra suíça do Interior e da Cultura, Ruth Dreifuss.

Outro convidado de honra do Salão é Anistia Internacional que comemora 40 anos de existência. Está previsto debate público no quadro de uma campanha contra a abolição da tortura no mundo e dos novos desafios de Anistia.

J.Gabriel Barbosa

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