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Reforma ortográfica divide países de língua alemã

O essencial é ter uma referência para a ortografia. Keystone

Um ano antes de entrar em vigor, a reforma ortográfica do alemão acirra os debates na própria Alemanha. A Suíça defende a adoção definitiva das novas regras.

Os especialistas que elaboraram a reforma – inclusive suíços – se reunem nesta segunda-feira em Viena para um resumo dos debates.

Os dois grandes editores alemães, Springer e Spiegel e o jornal diário Süddeutsche Zeitung querem voltar à antiga ortografia. Com a posição anunciada no início de agosto, relançaram o debate sobre a reforma ortográfica da língua alemã.

Para esses três editores, a reforma não concretizou as simplificações desejadas. Ao contrário, teria criado insegurança entre as pessoas que não saberiam mais a maneira correta de escrever.

Uma questão política

O debate passou para a esfera política. Vários políticos da direita alemã perceberam a possibilidade de ganhar votos nas próximas eleições graças a um “populismo ortográfico”.

A conferência de ministros da cultura dos Länder (estados) – órgão competente para a reforma ortográfica na Alemanha – querem manter a reforma. É por isso que convocaram as autoridades competentes da Suíça, Áustria e Liechtenstein para uma reunião urgente em Viena, nesta segunda-feira (23.8).

A Suíça é representada por Hans Ambühl, secretário da Conferência suíça dos secretários estaduais de Educação (CDIP).

O alemão é a mais usada das quatro línguas nacionais suíças, mas apenas na forma escrita, daí o interesse pela ortografia. Cerca de 70% dos suíços escrevem diariamente em alemão mas falam o dialeto suíço-alemão, praticamente incompreensível pela maioria dos vizinhos alemães e austríacos.

Além de atualizar a discussão, é possível que seja criada, na reunião de Viena, um “Conselho pela ortografia alemã”, no qual seriam também seriam integrados críticos da reforma.

Esse Conselho deverá substituir a “Comissão InterEstados pela ortografia alemã”, grupo que elaborou as novas regras ortográficas.

A aplicação das novas regras é da competência das autoridades políticas dos países de língua germânica.

Risco de caos

“Espero que a conferência de ministros da Cultura manterá sua posição, senão pode virar um caos”, afirma Ulrich Stöckling, presidente da CDIP, membro do governo estadual de St-Gallen (região nordeste), e representante da Suíça na Comissão InterEstados.

Até agora, os ministros da Cultura dos Länder (estados alemães) mantém sua posição. Em junho, decidiriram por unânimidade manter as novas regras ortográficas no prazo previsto, ou seja, 1° de agosto de 2005.

Para Ulrich Stöckling, está claro que se a reforma fracassar na Alemanha, a Suíça terá de acompanhar. “Se isso ocorrer, acredito que haverá um caos absoluto no ensino”, prevê.

De fato, alunos e professores não saberiam mais que regras seguir. “Haveria então um risco de abandono da língua escrita”, declara Ulrich Stöckling.

«Várias avaliações demonstraram que os jovens cometem menos erros com as novas regras”, acrescenta.

Essa posição é confirmada pela principal associação suíça de professores
(Dachverband Schweizer Lehrerinnen und Lehrer). «Não se pode mudar as regras ortográficas a cada dois anos”, afirma o presidente Beat Zemp.

Contra a abandono da reforma há ainda o argumento dos custos porque todo o material pedagógico de ser refeito.

Polêmica também na Suíça

Essa tempestade em copo d’água que agita a Alemanha também atingiu a Suíça. No início de junho, os escritores Adolf Muschg, Urs Faes e Pirmin Meier lançaram um apelo contra a reforma. Eles tiveram o apoio de alguns lingüistas.

Os autores do apelo pedem que a CDIP suspenda a reforma e que ela seja examinada por especialistas independentes. Esse apelo foi enviado a todos os professores de alemão do segundo grau (liceus) mas, por enquanto, não se sabe quantos assinaram o documento.

Como na Alemanha, os editores suíços também tem um papel preponderante na aplicação da reforma. Mas, contrariamente aos editores alemães, os grandes editores suíços são a favor das novas regras, com exceção do jornal Neuer Zürcher Zeitung, de Zurique.

No entanto, vários chefes de redação de grandes jornais querem debater a reforma. É o caso do Tages Anzeiger, Blick e Weltwoche. Outros querem manter as novas regras, adotadas pelas agências de notícias.

Quando entrar definitivamente em vigor, a reforma será obrigatória para as escolas e para a administração federal.

swissinfo, Renat Künzi
Adaptação: Claudinê Gonçalves

A reforma entrou em vigor em 1° de agosto de 1998.
Um prazo de transição é previsto até 31 de julho de 2005.
Até lá, as regras da ortografia antiga ainda são aceitas.

Exempolos das novas regras:

– Abandona-se o ph de origem grega: Saxophon > Saxofon.

– Acaca o sinal ß – não usado na Suíça – atrás de uma vogal curta: der Fluss.

– Toda as consoantes são mantidas nas palavras compostas: Schiffahrt > Schifffhart.

– Germanização das palavras estrangeiras: Mayonnaise > Majonäse.

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