Suíços descobrem facetas do Brasil
Se os escritores brasileiros tiveram a França como modelo no passado, o Brasil também fascinou e continua a fascinar intelectuais e escritores franceses. Três deles apresentaram suas obras relacionadas com o Brasil, no Salão do Livro, de Genebra.
O “Café Literário” do Pavilhão do Brasil (convidado de honra) foi palco na quinta-feira, 2/5, de debates reunindo 3 autores atuais franceses com obras de temática brasileira:
– Jean-Christophe Rufin, autor de “Rouge Brésil” (prêmio Goncourt 2001, a mais prestigiosa recompensa literária francesa),
– Jean Soubin que escreveu “Je suis l’Empereur do Brésil” (“Sou imperador do Brasil”, sobre Dom Pedro II),
– Gilles Lapouge de “La Mission des frontières” (missão das fronteiras).
Villegagnon
“Rouge Brésil” lembra Jean-Christophe RUFIN, traça a história barroca, burlesca e trágica de Villegagnon, “conquistador francês” que tentou fundar uma “França Antártica”. A operação transformou-se numa tentativa francesa, fracassada, de colonizar o Brasil.
O livro historia os primeiros contatos entre a Europa e o Brasil e tem o mérito de destacar as origens não-portuguesas do País. Destaca, por exemplo, os primeiros exemplos da presença do Brasil na literatura européia através de escritores de peso como Montaigne e Rousseau. Jean-Jacques Rousseau desenvolveu a partir daí o mito do “bom selvagem”.
A tradição portuguesa de “Rouge Brésil” deve sair em outubro.
Contribuição suíça
Em “Je suis l’Empereur du Brésil”, Jean SOUBLIN elabora uma biografia de D. Pedro II que revela todo um mundo em que vive um monarca erudito, vivamente interessado pelas artes e pela ciência.
No D. Pedro II que entra nos detalhes da vida do soberano e faz, por assim desfilar mais de 40 anos de reinado.
O autor constata, por exemplo, o interesse do monarca em receber os viajantes importantes. Entre eles, o cientista suíço Agassiz, um dos primeiros a se interessar pela biodiversidade brasileira. Nesse trabalho, o Museu do Pará, chamado Museu Goeldi (do nome do suíço que o fundou) é incontornável no que diz respeito à biodiversidade amazônica.
Identidade
Gilles LAPOUGE , em “La Mission des frontières” nos mergulha em outro mundo. O do Brasil em formação da própria identidade, das fronteiras cobiçadas pela Espanha e Portugal, a Amazônia, as belezas de São Luiz do Maranhão com seus azulejos formando “um verniz azul e branco”, com seu clero
pouco dado ao celibato, um bispo que poderia encarnar Savonalora…
Lapouge tem fortes laços com o Brasil, país pelo qual sente forte atração. Explica-se. Ele foi redator político e econômico no Estado de São Paulo, nos anos 50. E na França foi durante anos e anos correspondente do jornal.
Participando do encontro, o público suíço pôde sacudir um pouco dos clichês ligados ao nome Brasil. O debate pode ter despertado interesse pela variedade cultural do País, pelos laços passados. Os laços presentes são inevitáveis com a globalização galopante.
J.Gabriel Barbosa
Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.