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Sua paixão é o trompete

O trompetista Érico Fonseca. Marc Ducrest

Menino, Érico Fonseca sonhava em tornar-se saxofonista. Ouvindo o “deus” Winston Marsalis, ele optou pelo trompete. Aos 18 anos, o músico "teve a sorte de aterrissar em Friburgo".

Aos 18 anos, o músico “teve a sorte de aterrissar em Friburgo”, na Suíça, onde recebeu bolsa de um ano, no Conservatório da cidade…

Natural da cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Érico Oliveira Fonseca, 22 anos, considera que, de fato, sua carreira deslanchou com uma bolsa oferecida na Suíça, há 4 anos, aos mais talentosos músicos da cidade brasileira, fundada por suíços em 1818.

Ele e o pianista conterrâneo, Cristiano Vogas, foram os contemplados. Érico acha que para ele a recompensa foi uma bênção, porque, se ainda menino sabia o que queria ser – e aos 12 anos começou a exercer-se no instrumento de sua predileção com um professor (Uldember Fernandes) – na adolescência encontrara dificuldade em conseguir uma formação adequada.

No entanto, tudo tinha começado bem. Dos 13 aos 15 anos, já atuando na banda local (a Campesina), teve um professor (Vinicius Lugon), que era músico da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Potencial aparece logo

Mas já nos dois anos que se seguiram, Érico se viu obrigado a mendigar conselhos “aqui e ali”, na tentativa de dominar o trompete.

Talento, aparentemente não faltava: em 1998, com 17 anos, disputou com êxito um concurso que lhe permitiu tornar-se primeiro trompetista da Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem – OSBJ. E outras recompensas na Europa, iriam revelar suas aptidões. Entre eles destaque-se o 1° prêmio no concurso Yamaha Foundation of Europe, em 2003.

Na OSBJ atuou, porém, apenas 4 meses, pois em 1999 vencia um outro concurso, este oferecido pela Associação Friburgo – Nova Friburgo e o estado suíço de Friburgo, que lhe abria novos horizontes.

O apoio de uma família suíça, que praticamente o adotou, facilitou a integração em um mundo diferente. E com as boas condições oferecidas pelo Conservatório, ele pôde dedicar-se com tranqüilidade a seu instrumento.

Grande chance

No aprendizado, Érico considera um privilégio ter tido como professor Jean-François Michel, um mestre entusiasta “com quem pôde trabalhar o trompete em tempo integral e fazer um trabalho enorme”.

“Foi chance muito grande beneficiar-se dos ensinamentos de um músico que durante dez anos foi solista na Orquestra Filarmônica de Munique, uma as mais importantes da Alemanha”, estima o trompetista.

É esse mesmo entusiasmo que o trompetista procura transmitir nas aulas que ministra no Conservatório suíço onde estudou e nas aulas teóricas sobre metais (trompete, bombardino, tuba…), em prestigiosa banda de Friburgo (Concórdia).

E enquanto se aperfeiçoa – seguindo cursos com o trompetista norte-americano Anthony Plog em Freiburg, na Alemanha no intuito de obter “um diploma de concerto” – Érico tem feito estágios em orquestras suíças, formado dueto com seu conterrâneo, o pianista Cristiano Vogas, atuando em cerimônias religiosas ou profanas…

Sonho do trompetista

Nesse meio tempo, vários prêmios vêm revelando o potencial do trompetista. Ele parece, no entanto, tirar orgulho particular de ser membro do Nemo’s Quintet, grupo suíço criado em 1996, voltado para o clássico e para o jazz.

Regressar definitivamente ao Brasil, uma vez terminada sua formação, não é preocupação de Érico Fonseca. O artista está consciente de que no País o campo para a música clássica é limitado, os recursos curtos e as estruturas de ensino deficientes.

No momento o “grande objetivo” do friburguense é ser contratado como trompetista de uma boa orquestra sinfônica profissional.

Ele sabe, porém, serem reduzidas as possibilidades, diante da enorme concorrência, lembrando que uma orquestra profissional contrata geralmente 4 trompetistas. “Não é como para o violino de que se precisam 30 numa orquestra”, realça. Mas Érico não desespera, achando que sua hora vá chegar.

swissinfo, J.Gabriel Barbosa

– Erico Fonseca, natural de Nova Friburgo, RJ, completou 22 anos em fevereiro.

– Aos 17 anos disputou com êxito uma bolsa de um ano para conservatório suíço e veio estudar em Friburgo.

– Ele se encontra há 4 anos na Suíça, onde aperfeiçoa seus conhecimentos musicais, e tem colaborado com diferentes orquestras e grupos de instrumentos de cobre do país.

– Se em 2001 ficou em 2° lugar no Concurso das “Jeunesses Musicales Suisses”, em 2001. Em 2003 foi o 1° colocado no concurso “Yamaha Foundation for Europe”, realizado em vários países europeus.

– Além de ensinar música em diferentes instituições, inclusive no Conservatório de Friburgo, atua como trompetista no grupo suíço, Nemo’s Quintet, e segue cursos em Freiburg, na Alemanha, ministrados por Anthony Plog na “Staatliche Musikhochschule, com o objetivo de obter “um diploma de concerto”.

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