Uma semana sem TV
Novidade na Suíça: 300 famílias de Genebra decidiram passar uma semana sem ver televisão.
A iniciativa, lançada por associações suíças de pais, veio dos Estados Unidos. Objetivo é debater o consumismo exagerado incentivado pela mídia.
A televisão ocupa um lugar importante na vida das pessoas. Ninguém discute essa realidade. Porém se um grupo decide passar uma semana longe da telinha, muitos consideram este um ato estranho.
Porém nos Estados Unidos cada vez mais telespectadores decidem se libertar do jugo da mídia eletrônica. Para isso foi criada a associação “TV Turn off”, que comemora agora os dez anos da campanha por uma semana sem televisão. Além do Canadá, outros países europeus começam aos poucos a adotar essa idéia. A Suíça é um deles.
“Nosso objetivo é incitar as pessoas a descobrirem outras alternativas, além da televisão”, explica Eric Didion, presidente de uma associação de pais de crianças das escolas de Genebra.
Agora, pela primeira vez na Suíça, oito associações se juntam para criar uma semana sem televisão e oferecer, em contrapartida, atividades alternativas.
Violência e insegurança
Dentre elas, o grupo oferece concursos de trabalhos manuais, jogos de sociedade, cursos de música ou até mesmo passeios na natureza. “Assim mostramos que existem mil maneiras para uma família ocupar o seu tempo”.
Porém essa perspectiva não chega a motivar todos os pais. “Eu prefiro que meus filhos vejam TV, a ficar perambulando no meio da rua”, afirma uma ouvinte da Radio Suisse Romande, durante um programa consagrado ao lançamento do jejum de televisão.
Mas insegurança e a violência dominam muitos programas de televisão. “O importante é não deixar as crianças sozinhas na frente da TV”, afirma Nicolas Liengme, psiquiatra suíço, durante o programa de rádio. “O diálogo entre pais e filhos permite digerir melhor certas imagens”.
Esse intercâmbio é o principal objetivo da semana sem televisão organizada pelos grupos em Genebra. “Nós queremos incitar os pais e as crianças a refletir sobre seus hábitos de ver TV”, ressalta Eric Didion, da associação de pais.
Médias inferiores aos do exterior
Segundo as estatísticas, os suíços passam menos de três horas por dia vendo televisão, o que corresponde a uma média inferior a dos outros países. Em 2002 a média mundial era de 3 horas e 21 minutos. No Japão e nos Estados Unidos esta passa das quatro horas cotidianas.
Em cima dessa análise, Guillaume Chenevière, antigo chefe do canal de televisão da parte francesa da Suíça, se mostra cético quanto à utilidade de uma semana sem TV. “Por trás dessa iniciativa se esconde a idéia de que o mundo era melhor antes da aparição da televisão, o que é uma ilusão”.
Para o sociólogo, o mais importante é desenvolver uma atitude dinâmica em relação ao aparelho. “No mundo complexo em que vivemos, é necessário se informar de uma forma inteligente”.
“Para pessoas passivas ou frágeis, é possível que a televisão preencha um vazio interior e reforce também tendências negativas”.
Fator de frustração
Guillaume Chenevière lembra da chamada “síndrome de Beverly Hills”, em associação ao bairro chique nos EUA.
“A maior parte dos canais de TV reflete o universo das elites e das sociedades prósperas, apesar do fato de que suas emissões terminam atingindo até as favelas nos países mais pobres”.
Essa é a razão pela qual um número crescente de pessoas está rejeitando a televisão. “No movimento anti-globalização, nós vivemos um retorno da crítica à mídia, como estava em moda nos anos sessenta”, diz o sociólogo suíço Jean Rossiaud.
“Os militantes desses movimentos querem se informar de uma outra forma. Eles desenvolvem uma crítica à televisão, que é ao mesmo tempo uma rejeição a sociedade de consumo imposta por ela”.
swissinfo, Frédéric Burnand
tradução de Alexander Thoele
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