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Zurique e Nova York homenageiam A. Giacometti

Uma das famosas esculturas filiformes do artista (2001 ProLitteris). swissinfo.ch

Vasta exposição no Museu de Arte de Zurique (Kunshaus) homenageia o centenário de nascimento do escultor suíço, Alberto Giacometti. A mostra apresenta 200 peças - esculturas, pinturas e desenhos - que resumem a obra de um dos maiores artistas plásticos do século. A exposição será levada a Nova York em outubro.

Se existe artista cuja obra descobriu novas perspectivas à representação plástica do homem, esse artista é Alberto Giacometti. Suas enigmáticas figuras de bronze, angustiosamente delgadas, frias e desencarnadas, podem configurar a solidão do homem no século XX.

Por ocasião do centenário de nascimento do artista, em 10 de outubro, o Museu de Arte (Kunsthaus) de Zurique, em colaboração com o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa), dedica ampla retrospectiva ao escultor e pintor falecido em 11 de janeiro de 1966, aos 64 anos.

Até 2 de setembro, a Kunsthaus, com apoio da Fundação Giacometti, apresenta 90 esculturas, 40 telas e 60 desenhos, com destaque para o período surrealista do artista (1930-35), quando suas obras se impregnaram de acentuada função simbólica.

Alberto nasceu em 1901, em Stampa, vilarejo de Graubünden, sudoeste suíço, num vale onde se fala dialeto suíço italiano e não o romanche, idioma do cantão (estado) e quarta língua oficial da Suíça. O escultor é exemplo de uma criação que transita entre a modesta aldeia natal e a “aldeia global”.

Stampa e Genebra são as etapas suíças de um itinerário que vai desde o desenho aprendido com o pai e a formação profissional, até a formação artística em Paris, na “Académie de la Grande Chaumière”, com Antoine Bourdel, aluno de Rodin. As relações com Breton, Aragon, Dalí, Miró e Picasso constituem fecundo episódio surrealista que Giacometti rompe com um polêmico retorno à arte figurativa.

Quem podia imaginar que o criador daquelas figuras filiformes e quase anoréxicas crescera em ambiente familiar e provinciano de uma autêntica dinastia suíça de artistas? Cinqüenta e duas fotos de Ernst Scheidegger, de Zurique, amigo do artista, acrescentam à resenha da Kunsthaus o clima de intimidade familiar e profissional de Giacometti.

Giovanni, o pai, era pintor de afrescos e vitrais. Diego, o irmão – desenhista – foi modelo e colaborador. Bruno, outro irmão, ainda vivo, afilhado do conhecido pintor Fernand Hodler, é arquiteto. Augusto, o primo, foi pintor. O prestígio da lendária família Giacometti atravessou facilmente as fronteiras.

Ainda que o culto ao artista não seja freqüente na Suíça, quase todas as grandes cidades do país dedicaram exposições ao escultor, imortalizado inclusive pelas ilustrações das cédulas atuais de 100 francos suíços.

São também raras as grandes cidades do mundo que não tenham homenageado alguma vez o escultor suíço. Em 10 de outubro próximo, o Museu de Arte Moderno de Nova York, diante da fina flor do mundo da arte contemporânea, repetirá até janeiro a exposição de Zurique.

Nova York, que no pós-guerra superou o prestígio artístico de Paris, é considerada a capital que descobriu dimensão internacional de Alberto Giacometti. Não se deve esquecer, porém, que ao abrir novos espaços à representação plástica, a obra de Giacometti foi, principalmente, reflexo de irrefreável e incerta busca do homem do século XX.

Jaime Ortega

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