Brasil presente em feira suíça de turismo
TTW, importante feira suíça destinada profissionais do setor e voltada principalmente para o marketing, reuniu em Montreux cerca de mil expositores dos 4 continentes.
A Embratur representou o Brasil.
Que há de novo no tocante aos destinos e às propostas turísticas? A feira de turismo de Montreux – a TTW, Travel Trade Workshop – realizada dias 27 e 28 de outubro, na cidadezinha suíça, famosa por seu festival de jazz, procurou dar uma resposta à questão colocando sob o mesmo teto cerca de mil expositores.
O evento destinado unicamente a profissionais do ramo ofereceu condições de contato entre as partes envolvidas no marketing turístico com amplas possibilidades de não apenas de conhecer novidades, como também debater tendências e reorientar estratégias.
Do mundo de língua portuguesa, a presença relativamente discreta de Portugal com a agência Secotour (Services for Cooperation on Tourism), radicada em Spreitenbach, no cantão suíço de Argóvia.
Do Brasil, pela segunda vez – a primeira foi em 1998 – a Embratur apresentou um estande dirigido por Karin Luize de Carvalho, a chefe do escritório da empresa em Frankfurt, com jurisdição nos países de língua alemã, Escandinávia e Rússia. swissinfo aproveitou-se da ocasião para abordar com a paulista Karin questões recorrentes como o turismo sexual. Falamos também, entre outros assuntos, da criminalidade como entrave ao turismo europeu no Brasil.
A ela indagamos inicialmente, com que objetivos Embratur participou desta feira suíça de turismo, em Montreux?
Com advento do Ministério do Turismo – que hoje só cuida do turismo, não mais, como antes do governo Lula, dividia espaço com outros setores – Embratur tornou-se uma secretaria especializada unicamente em marketing internacional, apoiando a comercialização e a promoção dos produtos brasileiros no exterior. Em conseqüência, nossas estratégias se fortalecem, favorecendo a divulgação no exterior. Obviamente nesse contexto, a Suíça é um país que proporcionalmente à população tem uma participação expressiva de turismo destinado ao Brasil. Fora disso, na Alemanha há um novo fator: os escritórios brasileiros de turismo. A Embratur acaba de abrir 5 novos escritórios. A partir do ano que vem serão 7 novos escritórios, sendo a grande maioria baseada na Europa: Milão, Londres, Paris, Lisboa, Frankfurt e um a ser implementado em Madri. Com essa implementação dos escritórios ficou mais fácil aproximar-se do mercado. Para nós foi lógico pensar que se houve o primeiro investimento no escritório, nada mais natural que continuar esse investimento e dar visibilidade ao nosso trabalho através da participação nos maiores eventos nesses países. A TTW é um deles.
Você falou da expressividade do turismo suíço no Brasil. Pode fornecer algumas cifras a esse respeito?
Até 2002, ou seja as últimas estatísticas a que temos acesso, havia uma média de quase 60 mil turistas suíços. Antes de 11 de setembro de 2001 a média oscilava em torno de 75 mil. Acho que agora, em 2003-2004, devemos fechar mais ou menos com a cifra de 70 mil turistas. Adicionando os turistas alemães e austríacos, podemos provavelmente chegar a quase 400 mil dos 4 milhões de estrangeiros que o Brasil recebe anualmente. Isso é, sem duvida, o maior mercado emissivo europeu para o Brasil. Qualquer iniciativa na Suíça reflete nesse mercado. Por exemplo, os vôos semanais fretados (como da empresa aérea suíça Kuoni) de Zurique a Fortaleza (novembro a abril) ou de Zurique ao Rio de Janeiro (dezembro a março) são uma resposta a investimento no mercado.
Voltando a falar de cifras relativas a fluxos turísticos para o Brasil, vale assinalar que os argentinos, em função da proximidade, representam o maior número de turistas no País. Em segundo lugar figuram os Estados Unidos, por certa proximidade, pelo numero representativo de sua população (280 milhões) e pelas relações comerciais. Os alemães formam o terceiro contingente de visitantes: são cerca de 300 mil por ano.
Que trunfos do Brasil a Embratur procurou destacar em Montreux?
O foco dado pela atual gestão da Embratur – esperando que esse seja um foco perene – é que o Brasil seja visto como um país que tenha diversidade natural e principalmente diversidade cultural. É esta mistura que nos faz especiais. O que nos diferencia de outros lugares, também com natureza beneficiada, é o povo brasileiro: a mistura de raças, a hospitalidade, as demonstrações culturais pelo país… Ou seja, não apenas o samba, não apenas um aspecto… e sim toda a diversidade de norte a sul do país. Não trabalhamos mais a questão dos destinos brasileiros em si, mas os segmentos do turismo (a segmentação é uma tendência mundial no setor) em que se destacam regiões do Brasil, com diferentes combinações de atividades em vez de só se pensar nos destinos tradicionais. Essa é uma maneira encontrada de inclusive trazer uma diversificação dos produtos visitados dentro do Brasil.
A demanda turística européia em relação ao Brasil tem se diversificado?
Sim, muito. A Embratur teve um posicionamento feliz porque foi ao encontro dessa tendência mundial de segmentação. As pessoas querem mais um turismo ativo (que tem a ver com a possibilidade de interagir com o povo local e com a natureza), um turismo diferenciado. No tocante ao mercado helvético, o turista suíço é muito exigente. Ele quer “value for money” ou seja qualidade do que compra. Com programas diferenciados fica mais fácil agradar ao turista que hoje é muito mais escolado, com experiências em vários cantos do mundo. O turista procura mais a emoção da visita que o turismo passivo ou seja de simples observação de pontos turísticos famosos. Note-se que em relação ao turismo ativo, as pessoas querem mais ver natureza, querem observar as demonstrações culturais de um povo, através da dança, festivais… O ecoturismo e o turismo de aventura cresceram também de maneira vertiginosa. O turismo de aventura não se resume somente a atividades de risco, como também a atividades saudáveis como caminhada, rapel, canoagem, mergulho, corridas… e tudo com muita segurança, o que o Brasil tem condições de oferecer.
A questão da segurança é um eterno problema no setor turístico no Brasil. Violência contra turistas repercute mal na Europa. Como a Embratur procura resolver o problema?
A Embratur tem uma diretoria de marketing que faz um trabalho de mensuração das atividades realizadas em prol da imagem do Brasil no exterior. A Secretaria de Comunicação do governo federal – Secom – tem um grupo de trabalho somente para cuidar da imagem do Pais no estrangeiro. Então têm sido feitos vários trabalhos nesse sentido. Assim, apesar do que sai na imprensa, existe uma receptividade bem mais firme e calorosa do Brasil no exterior. Nós podemos sentir através do contato com as operadoras que o Brasil se tornou um país mais seguro para o turista. Seguro não apenas em questão de segurança pública, mas seguro em estabilidade, nas propostas de governo… O Brasil deixa de ser apenas um país exótico, com pessoas maravilhosas e festivais interessantes, mas começa a ser um país que desponta em função de sua tecnologia (nosso terceiro maior produto de exportação é o turismo, o quarto é a aviação). Paramos de exportar apenas matéria-prima, exportamos serviços também, tecnologia… Há portanto uma percepção de qualidade no exterior. Quanto à questão da divulgação de problemas que acontecem no Brasil, ela tem sido tratada de maneira muito séria. Nosso papel não é negar, mas verificar o que se tem feito para combater tais incidentes.
Falando de imagem do país, uma questão que volta com freqüência é a do turismo sexual que afeta a imagem da mulher brasileira. Que se faz na busca de soluções?
A preocupação é enorme, inclusive com o turismo que envolve exploração infantil. O governo brasileiro, através de ações da Embratur é um modelo para a ECPAT (organização internacional de combate ao turismo sexual infantil). O Ministério do Turismo tem agido contra o turismo sexual, com apoio da Policia Federal. Nesses dias foi presa uma quadrilha – que incluía um alemão e uma brasileira – que fazia pacote de turismo sexual para Fortaleza. O que se espera é uma atitude de firmeza com esse tipo de turismo. Temos feitos seminários de conscientização dos operadores… Mas no plano global, isso tudo é reflexo de uma situação econômica do País. O problema das vítimas do turismo sexual é de exclusão social antes de mais nada. No Ministério do Turismo tenho observado como alguém que veio de fora, como é meu caso, que há muita seriedade para que aconteça a inclusão social no País, seriedade no combate à desigualdade. Cada um tem desempenhado seu papel com profissionalismo. E o presidente Lula reconhece esse trabalho, nos acompanha em missões internacionais e empresta sua imagem positiva (que tem no mundo) à promoção do turismo brasileiro.
Que impressão vai levar desta feira?
A impressão é muito boa. Acho a presença de “trade” muito ativa. Antes de assumir o posto em Frankfurt, fui responsável de eventos internacionais da Embratur e posso afirmar que a organização é muito grande, a cadeia produtiva é muito organizada. Em dois dias consegui entender quem são meus parceiros, quem são as empresas, quais são as linhas aéreas… É quase inédito dentro de uma feira ter em dois dias a dimensão do mercado. Geralmente as feiras são muito grandes e você não tem acesso a essas informações.
Pode citar outras feiras européias destinadas unicamente a profissionais do turismo como esta de Montreux?
Na Europa há varias muito boas. Em Frankfurt, na Alemanha, a IMEX; IBTM que era na Suíça, mas se mudou para Barcelona, na Itália há TTG Incontri, há uma na França, a WTM, em Londres… No setor, a ITB de Berlim e a WTM de Londres são consideradas as maiores feiras de turismo para profissionais.
swissinfo, J.Gabriel Barbosa, de Montreux.
Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.