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Trump sequestra a festa de 250 anos dos EUA, o perigo da dívida e o “jacaré de Alcatraz”

Praying on the National Mall on May 17.
Reza no National Mall, Washington, em 17 de maio. Keystone/Swissinfo

Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, analisamos como a imprensa suíça tem noticiado e reagido a três notícias importantes nos EUA.

Você estará nos EUA no sábado, quando o país completará 250 anos? Se não, ainda assim vai brindar à “grande experiência liberal”, baseada em valores do Iluminismo, como os direitos naturais, o Estado de Direito e o governo por consentimento? Como disse o presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada: “1776, que época incrível foi aquela”.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, na inauguração da Great American State Fair, no National Mall, a 24 de junho.
O presidente dos EUA, Donald Trump, na inauguração da Great American State Fair, no National Mall, a 24 de junho. Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved.

Enquanto os Estados Unidos comemoram, neste sábado, os 250 anos da Declaração de Independência, os jornais suíços estão horrorizados — mas não surpresos — com a forma como o presidente dos EUA, Donald Trump, está se colocando no centro das atenções.

“O Dia da Independência, comemorado em 4 de julho, costuma ser uma celebração popular durante a qual os Estados Unidos da América se reúnem para celebrar a nação e seus valores”, escreveu a emissora pública suíça RTS na terça-feira. “Mas Donald Trump transformou o evento em um comício do MAGA, destacando suas conquistas. Segundo ele mesmo, Trump permitiu que os Estados Unidos recuperassem a grandeza que haviam perdido sob a presidência de Joe Biden, chegando ao ponto de se comparar aos colonos patriotas de 1776, que se rebelaram contra a Coroa Britânica.”

Trump deu início às comemorações em 24 de junho com um discurso no National Mall, em Washington, DC. “O discurso foi surpreendentemente breve, mas repleto de autoelogios e superlativos”, escreveu o Neue Zürcher Zeitung (NZZ). “Trump elogiou profusamente a si mesmo, aos políticos do Partido Republicano e aos seus aliados.”

Para o Le Nouvelliste, “o que deveria ser um show para todos curtirem acabou se tornando um comício político onde se reuniu uma multidão usando bonés com a frase ‘Make America Great Again’” (Faça a América grande de novo). Trump havia cancelado os shows planejados para o National Mall depois que a maioria dos artistas desistiu de participar. “A Great American State Fair (Grande festa do Estado americano) tinha como objetivo celebrar a unidade da nação. Mas está apenas destacando as divisões dentro do país”, escreveu o jornal no domingo.

O jornal 24heures, de Lausanne, concordou. “Aos 80 anos, Donald Trump promete o início de uma nova ‘era de ouro’, mas sua América parece profundamente dividida, enfraquecida por uma guerra impopular contra o Irã, que fez o custo de vida disparar”, escreveu o jornal. “Vários observadores destacaram a diferença entre essa personalização do 250º aniversário e as comemorações do Bicentenário de 1976, que ajudaram a reunir o país após a Guerra do Vietnã, o escândalo Watergate e as crises do petróleo.”

O jornal concluiu que “Donald Trump fez tudo ao seu alcance para garantir que as comemorações do 250º aniversário dos Estados Unidos girassem em torno de um único homem: ele mesmo”.

Nota de dólar
O que diria George Washington sobre a situação atual? Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved.

Os Estados Unidos não têm intenção de saldar suas dívidas – e, no fim das contas, farão com que seus credores paguem o preço, alerta o Neue Zürcher Zeitung (NZZ).

“A política em Washington está tão profundamente dividida que a enorme montanha da dívida pública provavelmente só poderá ser eliminada por uma poderosa onda de inflação. Os investidores devem ficar atentos”, escreveu o NZZ em editorial na terça-feira.

“Há anos vêm sendo emitidos alertas, e há anos quem os emite vem sendo ignorado. Mas isso está se tornando cada vez mais difícil. O colapso fiscal dos Estados Unidos está se aproximando porque o sistema político, sob os governos de Trump, Biden e, mais uma vez, Trump, ficou paralisado e é incapaz de reagir.” O problema, segundo o NZZ, não é a dívida em si. O problema é que ninguém em Washington quer enfrentar a questão.

O jornal destacou que, mesmo excluindo todos os passivos que o governo dos EUA acumulou em suas contas externas, como o fundo de pensões, a dívida ainda chega a quase US$ 32 trilhões (CHF 26 trilhões). “Isso significa que ela ultrapassou recentemente a produção econômica do país, que também se situa em quase US$ 32 trilhões. Com a breve exceção da recessão econômica durante a pandemia de 2020, isso nunca havia acontecido desde a Segunda Guerra Mundial. Naquela época, porém, os EUA e o mundo livre estavam em grave estado de emergência. Hoje, os EUA estão bem economicamente. O desemprego está em 4,3%, e a economia cresce a uma taxa superior a 2%.”

Nem os republicanos nem os democratas estão explicando a gravidade da situação aos eleitores, reclamou o NZZ. “Em vez disso, estão apresentando bodes expiatórios e soluções falsas. Alguns democratas sugerem que um imposto sobre a fortuna de um punhado de super-ricos seria suficiente para equilibrar o orçamento e financiar novos auxílios do governo. Trump e o Congresso controlado pelos republicanos não são melhores. Uma comissão de corte de custos liderada por Elon Musk não causou nada além de caos em 2025, antes que o empresário do setor de tecnologia abandonasse o projeto e voltasse sua atenção para empreendimentos mais simples, como a colonização de Marte.”

O NZZ concluiu que os investidores em ativos tangíveis, como as ações das “muitas empresas americanas de destaque”, talvez sejam poupados do pior. Mas quem quiser investir em títulos do governo dos EUA deve pensar duas vezes. “O Tio Sam não vai quebrar sua promessa de pagar o dinheiro. Mas provavelmente vai esticar tanto o prazo que ele não valerá mais quase nada.”

Alligator Alcatraz
O centro de detenção foi construído num terreno pantanoso habitado por pitões e crocodilos. Keystone

O centro de deportação nos Everglades, no sul da Flórida, conhecido como “Alligator Alcatraz”, está encerrando suas atividades, segundo informaram as emissoras públicas suíças SRF e RSI. A decisão ocorre após críticas persistentes às condições de detenção e reclamações de ambientalistas.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, confirmou na semana passada o fechamento do Alligator Alcatraz, que estava em funcionamento há cerca de um ano, informou a SRF na sexta-feira. “DeSantis e o presidente dos EUA, Donald Trump, viam o campo como uma ferramenta para sua política de deportação de imigrantes ilegais. Agora, todas as pessoas que ainda estavam alojadas lá estão sendo transferidas para outros centros – em parte devido à aproximação da temporada de furacões.”

Segundo DeSantis, 21 mil pessoas foram deportadas do centro para seus países de origem. A SRF informou que organizações de direitos humanos criticaram repetidamente as precárias condições sanitárias e as dificuldades no acesso à assistência jurídica.

A instalação foi construída em um pântano habitado por pítons e jacarés. Alcatraz é uma ilha próxima a São Francisco que abrigou uma prisão de segurança máxima entre 1934 e 1963.

“Alligator Alcatraz provou ser um fracasso colossal de planejamento”, escreveu o Neue Zürcher Zeitung (NZZ) ainda em maio. “Essa instalação – que parece ter sido construída às pressas – é emblemática da política de imigração do governo Trump: em seus esforços para combater a segurança frouxa nas fronteiras do governo Biden, ela, por vezes, se perdeu no ativismo sensacionalista. A escalada devastadora durante as operações do ICE e da Patrulha de Fronteira no início deste ano em Minneapolis, que custou duas vidas, já mostrou aonde isso pode levar no pior dos cenários.”

A controvérsia em torno do Alligator Alcatraz ainda não chegou ao fim, acrescentou a SRF. “Os críticos alegam que o acampamento foi construído sem uma avaliação de impacto ambiental”, escreveu a organização. “Atualmente, estão em andamento processos judiciais para determinar eventuais responsabilidades e danos ao ecossistema dos Everglades.”

A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada em 2 de julho de 2026. Até lá!

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Adaptação: Eduardo Simantob

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