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Líbano quer polícia suíça nas investigações

Tensões internas aumentaram com a atentado de segunda-feira, em Beirute. Keystone

O governo libanês pediu que a Suíça envie policiais especializados para participar das investigações sobre o atentatado contra o ex-primeiro ministro Rafik Hariri.

O pedido foi transmitido ao embaixador suíço no Líbano mas o governo suíço ainda aguarda mais detalhes das autoridades libanesas.

O Líbano quer a ajuda da Suíça nas investigações do atentado de segunda-feira em Beirute. O porta-voz da presidência da República Libanesa, Rafic Chlala, justificou o pedido falando da Suíça como país neutro.

Esse pedido vem diretamente do presidente libanês Emile Lahoud. Ele foi feito oralmente ao embaixador suíço em Beirute, confirmou Ivo Sieber, porta-voz do Ministério suíço das Relações Exteriores (DFAE). Ele explicou ainda que o governo suíço aguarda precisões por escrito antes de tomar uma decisão.

Desde de terça-feira, o Ministério do Interior afirmou que aceitaria ajuda nas investigações, desde que viessem de um país neutro, rejeitando, assim, as pressões dos Estados Unidos e da França que pediam um inquérito internacional.

A Suíça vai aceitar

No entanto, o embaixador Thomas Litscher já garantiu ao presidente libanês Emile Lahoud que a Suíça “vai ajudar Beirute a superar essa crise”. O embaixador também falou com a procuradora-geral libanesa Rabiha Kaddoura.

O Ministério das Relações Exteriores – que não precisa se o pedido foi formulado diretamente ao presidente em exercício Samuel Schimid – está examinando o pedido libanês.

Se a Suíça aceitar, a Secretaria Federal de Polícia (fedpol.ch) vai examinar o pedido e escolher os policiais especializados em função das necessidades do governo libanês.

Os espelistas solicitados existem nas polícias federal, estaduais e municipais, afirma Guido Balmer, porta-voz da fedpol.ch. Seriam policiais especializados em explosivos e em análise de ADN.

Sem grandes riscos

O envio eventual de policiais ao Líbano não fará a Suíça correr grandes riscos políticos, segundo vários especialistas.

Um impacto negativo nas relações com certos países da região não pode ser completamente excluído, segundo o presidente da comissão de política externa do Senado, Peter Briner.

Mas essa hipótese não é um obstáculo em si. “Sempre há riscos mas é preciso ajudar a encontrar as razões e os culpados desse crime”, explica o senador.

Um especialista da região considera que não há risco político real para a Suíça, qualquer que seja o resultado das investigações. “Eu acho que, de qualquer maneira, o inquérito não vai levar diretamente à pista síria”, afirma Hasni Abidi, diretor do Centro de Estudos e Pesquisa do Mundo Árabe e Mediterrâneio (CERMAM), em Genebra.

Segundo ele, apesar do controle do tribunal militar libanês sobre o inquérito, os policiais suíços poderão trabalhar. “A Suíça não tem qualquer pretenção política e seu papel será apenas técnico”, explica Abidi.

Causas desconhecidas

Até aqui, as causas exatas da explosão que matou Rafic Hariri e outras 14 pessoas são desconhecidas. Os libaneses privilegiam a pista de um camicase.

Um grupo islamista desconhecido até agora reivindicou o atentado suicida afirmando que Hariri apoiava o governo saudita.

swissinfo com agências

O ex-primeiro primeiro Rafik Hariri foi morto segunda-feira no atentado em que também morreram outras 14 pessoas.
Desde terça-feira, o ministro do Interior Suleiman Frangié disse que seu país aceitaria ajuda estrangeira no inquérito, desde que fosse de um país neutro.
Quarta-feira, centenas de milhares de libaneses manifestaram-se contra a Síria durante o sepultamento de Rafik Hariri. A Síria considera o Líbano como sua zona de influência.

– Rafic Hariri (1944-2005) esteve no centro da vida política libanesa nos últimos 12 anos, depois de 15 anos de guerra civil.

– Ele é considerado ora como herói da reconstrução econômica do país, ora como quem deixou o país endividado (cerca de 35 bilhões de dólares).

– Rafic Hariri renunciou ao cargo de primeiro ministro em 20 de outubro de 2004, quando o Parlamento prorrogou de três anos o mandato do presidente pró-sírio Emile Lahoud.

– As eleições legislativas estão previstas para maio.

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