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Prisões suíças estão superlotadas

A penitenciária de Champ-Dollon, em Genebra, é um dos exemplos mais graves da superlotação. Keystone

As penitenciárias na Suíça estão vivendo em situação de emergência. O Ministério da Justiça e Polícia não vê, no momento, uma solução possível para o problema da superlotação.

Em Genebra, os agentes penitenciários da prisão de Champ-Dollon ameaçam até mesmo entrar em greve, caso suas reivindicações não sejam atendidas.

“Esse é efetivamente um problema e nós não vemos nenhuma solução em curto prazo”, declara à swissinfo Sabine Zaugg, porta-voz do Ministério da Justiça e Polícia.

“A situação na Suíça é mais do que crítica, porém consideramos normal e cíclica o aumento da população carcerária”.

O problema da superlotação nas prisões é um fenômeno vivido atualmente na Suíça, sobretudo em cantões como Berna, Zurique e Genebra. Nessa última cidade os agentes penitenciários da prisão de Champ-Dollon reivindicam mais celas, o aumento do número de funcionários e o pagamento das horas-extras.

A penitenciária, construída em 1977, deveria inicialmente oferecer espaço para 270 detentos. Nos últimos meses ela estava abrigando 461 pessoas.

A tensão aumenta

Geral Bolliger, representante da seção “Prisões” no sindicato dos policiais do cantão de Genebra afirma que “as condições de trabalho lá são insuportáveis”.

No comunicado distribuído à imprensa, o sindicato qualifica a situação em Champ-Dollon como “muito tensa” e cita casos de celas, onde sete prisioneiros têm de dividir o espaço previsto para no máximo quatro. Ao mesmo tempo, os guardas penitenciários estão acumulando horas-extras em excesso. Alguns chegam a contabilizar entre 50 e 200 horas suplementares de trabalho.

Reunidos em assembléia em 23 de junho, os agentes penitenciários decidiram entrar em greve caso suas reivindicações não sejam atendidas. Para aliviar as tensões, o governo cantonal decidiu transferir 21 prisioneiros de Champ-Dollon para o centro de detenção de Favra.

Riscos para a segurança

Micheline Spoerri, chefe da secretaria de justiça, polícia e segurança do cantão de Genebra, afirma que o governo reconhece o problema e que ele está sendo debatido no Parlamento. “Estamos solicitando mais verbas para aumentar o número de agentes penitenciários”. Enquanto as verbas não chegam, os funcionários decidiram reduzir o número de atividades dos detentos, deixando-os mais tempo nas celas.

Essa solução emergencial é considerada como arriscada. “Se o detento está ocupado com trabalho ou lazer, ele provoca menos problemas”, afirma Christoph Fricker, professor de direito na Universidade de Berna.

Fechamento de prisões aumenta problema

Existem várias razões para explicar o problema da superpopulação carcerária. Para especialistas como Fricker, o número de prisioneiros aumenta de acordo com o afluxo de estrangeiros. As estatísticas mostram que 60% dos detentos são estrangeiros.

Porém Sabine Zaugg lembra que o fechamento de algumas prisões na Suíça entre 2000 e 2002, consideradas ultrapassadas, contribuiu para aumentar o problema.

swissinfo, Elizabeth Meen
tradução de Alexander Thoele

– A prisão de Champ-Dollon foi construída para 270 prisioneiros.

– Atualmente 461 cumprem suas penas nela.

– O sindicato dos agentes penitenciários conta que algumas celas abrigam até sete pessoas.

– As estatísticas mostram que 60% dos prisioneiros são estrangeiros.

– O fechamento de prisões antigas contribuiu para aumentar o problema.

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