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Suíça quer ser líder em tecnologia verde

A ministra Doris Leuthard avalia as placas de isolamento de grama na exposição

O governo quer que a Suíça seja líder mundial em tecnologias verdes até 2020 e revelou um plano para impulsionar a pesquisa e a inovação.

Alguns resultados podem ser vistos na exposição Cleantech, que mostra invenções suíças como banheiros ecológicos e máquinas de café alimentadas por hidrogênio.

Um plano de meta batizado "Cleantech" vai direcionar governo, autoridades, universidades e o setor tecnológico no sentido de impulsionar as tecnologias verdes (veja coluna à direita). Ele foi anunciado pela ministra do Meio-Ambiente, Doris Leuthard, dia 04 de novembro durante uma conferência sobre inovação na capital, Berna.

"O reconhecimento do setor de tecnologia verde por parte do governo é muito bem-vindo", disse Maya Graf, parlamentar verde e agricultora orgânica, que conduziu a turnê pela Expo Cleantech.

O plano pretende unir ciência e negócios – uma decisão que segundo Graf levou tempo demais para ser tomada: "Há dez anos que estamos dizemos que a Suíça está ficando para trás no setor da tecnologia verde", declarou à swissinfo.ch. "Isso aumenta o abismo entre nós e os líderes mundiais, sem contar o potencial de emprego do setor que está sendo perdido".

Dúvidas

Graf diz que um ponto fundamental que está faltando no plano é mudar o comportamento do consumidor para torná-lo menos dispendioso. Há também um buraco negro em relação ao financiamento. "Este será um ponto polêmico, porque sem isso não vai funcionar", disse.

A parlamentar aprecia a decisão do governo em se empenhar mais do que a simples criação de "eco-taxas" para impulsionar a tecnologia verde. Mas ela ainda tem algumas dúvidas. "Os partidos de direita são contra nossas propostas de criação de impostos ecológicos", disse.

No total, 14 empresas participaram da exposição Cleantech, que foi apresentada ao mesmo tempo que a conferência sobre inovação. Elas deram "um gostinho" do que será o futuro com a tecnologia verde.

A empresa automobilística suíça Wenko criou uma fonte de energia que pode ser usada para aumentar a potência de carros elétricos. Um mini motor a combustão aciona um gerador que carrega as baterias enquanto o carro está em movimento. "É importante que o trabalho em inovações, como esses protótipos, continue. Isso também traz know-how para a Suíça, apesar do país não ter indústrias de automóveis", explicou Graf.

Bebidas quentes e frias

Uma geladeira desenvolvida pela empresa Awtec gasta 30% menos energia do que os modelos da classe energética mais eficiente A + +. Isso é feito com o auxílio de uma velocidade controlada ao invés de um compressor em constante rotação. É só 51 dólares mais caro do que os líderes atuais do mercado, diz o fabricante.

"Quando renovamos a nossa fazenda, precisávamos de um novo frigorífico", disse Graf, que lamenta que o aparelho ainda não esteja no mercado. Ela está convencida de que o potencial de economia dos produtos elétricos é enorme.

Graf está particularmente satisfeita com a máquina de café portátil movida por uma pilha a hidrogêneo desenvolvida pela empresa Ceka, de Toggenburg, perto de St-Gallen. O aparelho será utilizado em trens a partir do ano que vem. O hidrogênio é estocado em garrafas reutilizáveis.

"Eu sou uma daquelas viajantes que gosta de um café no trem", disse Graf. As pilhas a hidrogênio garantem que os clientes ávidos por um cafezinho não sejam privados da bebida porque as baterias da máquina do café estão gastas, o que pode acontecer com os modelos atuais.

Mais uma boa notícia: mudar para esta tecnologia verde não deve implicar em qualquer custo extra - apesar da energia a hidrogênio ser em geral mais cara. O dinheiro que normalmente seria gasto na substituição das baterias pode ser usado para o hidrogênio, diz um representante da empresa.

Isolamento verde

Outro passo na direção certa para Graf é a descarga "inteligente" para banheiros da firma Umtec, que incentiva a utilização de menos água. Se menos de seis pedaços de papel higiênico são usados, uma menor quantidade de água é usada automaticamente na descarga. A água da chuva seria bem aproveitada aí, acrescenta Graf.

O stand da empresa Gramitech apresentou à parlamentar uma alternativa para o isolamento térmico em sua fazenda: a empresa faz placas de isolamento de grama. "A grama é uma matéria-prima que cresce praticamente em qualquer lugar. Poderíamos ter usado grama que cresce em nossa própria terra quando fizemos a renovação", disse Graf, lamentando ter tomado conhecimento do projeto tarde demais.

Estratégia "Cleantech"

Até a década de 1980 a Suíça era uma pioneira na promoção de tecnologia destinada à produção de energia limpa e energia fotovoltáica.

No entanto a maioria das empresas fecharam ou foram para o exterior, devido aos cortes de subsídios. O potencial do setor inovativo tem diminuído desde 2000.

Numa tentativa de recuperar o terreno perdido, o governo apresentou um programa que visa trazer o país de volta ao topo da lista em 2020.

O plano inclui 50 medidas a ser implementadas pelo governo federal e pelas autoridades cantonais para promover a ciência e a pesquisa de tecnologias limpas e impulsionar a inovação.

Março passado, o Partido Social Democrata lançou uma iniciativa, apoiada pelo Partido Verde e os sindicatos, pedindo ao governo para incentivar a mudança para as energias renováveis. Os militantes dizem que a medida vai gerar cerca de 100.000 novos empregos.

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Fatos e Números

Estima-se que cerca de 160.000 pessoas - 4,5% do mercado de trabalho - estão trabalhando na indústria de tecnologia verde da Suíça.

O setor gerou um valor agregado de 20,6 bilhões de dólares em 2008, o equivalente à indústria do turismo, terceiro setor da economia.

As exportações do setor atingiram cerca de 15% do total das exportações entre 1996 e 2008, mas sua participação vem caindo desde então.

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(Adaptação: Fernando Hirschy), swissinfo.ch


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