Suíça é alvo de nova tarifa dos EUA por acusação de trabalho forçado
Os Estados Unidos vão impor uma tarifa de 12,5% sobre determinados produtos suíços, sob a alegação de que o país não eliminou completamente o trabalho forçado de suas cadeias de suprimentos.
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As novas taxas, que variam entre 10% e 12,5%, entram em vigor às 6h01, no horário da Suíça, e substituem a tarifa temporária de 10% adotada em fevereiro. As medidas terão validade de 150 dias.
A decisão é resultado de uma investigação iniciada em meados de março pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O objetivo era avaliar se os parceiros comerciais do país haviam eliminado totalmente o trabalho forçado de suas cadeias produtivas.
Suíça fica entre países com tarifa maior
Países cuja legislação é considerada inadequada pelos Estados Unidos estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre parte de seus produtos. A medida atinge, entre outros, os países da União Europeia, o Reino Unido, o México e o Canadá.
Para cerca de 40 países, porém, a tarifa será de 12,5%. Suíça, China, Japão e Coreia do Sul estão entre os afetados.
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Fato ou Fake: produtos suíços podem esconder trabalho forçado?
Devem existir exceções. Energia e matérias-primas que não são produzidas nos Estados Unidos, por exemplo, poderão ficar fora da lista de produtos atingidos.
Segundo Greer, décadas de pressão diplomática não foram suficientes para erradicar o trabalho forçado das cadeias globais de suprimentos. Ele afirmou que os Estados Unidos proíbem há quase um século a importação de produtos feitos com esse tipo de mão de obra e cobrou medidas semelhantes de seus parceiros.
Governo suíço rejeita acusação
O Departamento Federal de Economia, Formação e Pesquisa afirmou ter tomado conhecimento das novas tarifas, mas rejeitou firmemente as acusações de trabalho forçado.
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Porque a Suíça necessita de mão-de-obra estrangeira
A associação empresarial Economiesuisse classificou as medidas como incompreensíveis e injustificadas. Segundo a entidade, a decisão pesa sobre as empresas suíças que atuam no mercado americano e cria desvantagens competitivas em relação a países sujeitos a tarifas menores, como os membros da União Europeia e o Reino Unido.
A organização defendeu que a Suíça continue negociando com o governo americano.
Incerteza jurídica
A Casa Branca espera evitar que a nova tarifa tenha o mesmo destino das medidas anuladas pela Suprema Corte em fevereiro.
Para dar sustentação jurídica à decisão, o governo americano recorreu à mesma legislação utilizada para justificar tarifas setoriais sobre aço, alumínio, cobre, madeira para construção e automóveis. Essas medidas não foram derrubadas pela Suprema Corte.
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Empresas suíças reagem a tarifaço com automação e produção local
Outras investigações também estão em andamento com base nessa legislação, inclusive sobre uma possível sobrecapacidade industrial. Suíça e União Europeia também são alvo desse processo.
Antes desta nova rodada, o governo americano já havia anunciado uma tarifa de 25% sobre quase metade das exportações brasileiras aos Estados Unidos.
O Canadá também foi atingido por uma tarifa adicional de 50%, prevista para entrar em vigor dentro de um mês. Nos dois casos, porém, Washington ajustou sua estratégia e passou a aplicar as sobretaxas apenas a determinados produtos, em vez de atingir todas as exportações.
Adaptação: Fernando Hirschy
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