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FBI revista casa de jornalista do Washington Post, a pedido do Pentágono

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O FBI (polícia federal americana) revistou, nesta quarta-feira (14), a casa de uma jornalista do Washington Post, no âmbito de uma investigação sobre vazamentos de informação relacionados com a segurança nacional, uma medida que o jornal descreveu como “altamente incomum e agressiva”.

Durante o mandato atual do presidente Donald Trump, o Pentágono impôs novas políticas restritivas para os meios de comunicação.

A procuradora-geral Pam Bondi postou nesta quarta-feira no X que “o Departamento de Justiça e o FBI cumpriram uma ordem de revista no domicílio de uma jornalista do Washington Post que obtinha e publicava informação confidencial e vazada ilegalmente por um funcionário terceirizado do Pentágono”.

“Quem vazou (a informação) está preso atualmente”, acrescentou Bondi, em alusão a um homem detido há alguns dias, acusado de reter ilegalmente documentos relacionados com a segurança nacional.

O diretor do FBI, Kash Patel, disse no X que a revista visou uma jornalista do Washington Post “que supostamente obtinha e divulgava informação militar confidencial e sensível” e se recusou a fazer qualquer outro comentário sobre “uma investigação em curso”.

O Washington Post tinha informado sobre a revista na manhã desta quarta-feira. O jornal identificou a repórter como Hannah Natanson e assinalou que agentes federais apreenderam um computador portátil de trabalho e outro pessoal, um telefone e um relógio em sua residência na Virgínia, nos arredores de Washington. 

Embora não seja extraordinário que agentes do FBI tentem identificar a fonte dos vazamentos para jornalistas que publicam informação sensível, “é muito incomum e agressivo por parte das forças de ordem realizar uma revista no domicílio de uma jornalista”, reagiu o Post.

Os agentes disseram a Natanson que ela não era o alvo de sua investigação, que visa Aurelio Perez-Lugones, um gestor de sistemas de uma empresa de Maryland, acusado de ter consultado e levado para casa relatórios de inteligência confidenciais, acrescentou o jornal.

A jornalista cobre funcionários do governo federal, particularmente afetados neste primeiro ano do segundo mandato de Trump, e contou em dezembro nas páginas do jornal como publicou seu número de telefone seguro em um fórum online, com o qual compilou testemunhos de mais de mil fontes, segundo o Washington Post.

– “Assustador” –

“Para sermos claros, o Departamento de Justiça acaba de executar uma ordem de revista contra um jornalista para obter suas fontes”, reagiu Xochitl Hinojosa, diretora de comunicação do Departamento de Justiça durante a Presidência do democrata Joe Biden, e agora comentarista de política na CNN.

Segundo Hinojosa, “havia proteções para evitar que isto acontecesse”, mas “Bondi as anulou”.

“O Departamento de Justiça, em toda a sua história moderna, nunca acusou um jornalista por publicar ou receber ilegalmente informação confidencial, e é assustador pensar que isto possa mudar”, criticou ela no X.

Aurelio Perez-Lugones, que serviu na Marinha americana entre 1982 e 2002, ano em que começou a trabalhar como prestador de serviços do Pentágono, foi detido na semana passada em Maryland, segundo documentos judiciais que não mencionam contatos com jornalistas. 

Uma audiência sobre sua permanência na prisão está prevista para esta quinta-feira em Baltimore.

Perez-Lugones, que tinha autorização de segurança de nível máximo, é acusado de ter consultado sem autorização, desde 2025, informação confidencial e de tê-la tirado de seu local de trabalho.

Durante uma revista realizada em 8 de janeiro, os investigadores encontraram um destes documentos dentro do seu veículo em um recipiente onde transportava seu almoço, assim como no porão da sua casa.

Em setembro do ano passado, o Departamento de Defesa impôs aos jornalistas credenciados a proibição de solicitar ou publicar certas informações sem sua autorização explícita, sob o risco de perder sua credencial.

A maioria dos veículos que tinha jornalistas credenciados no Pentágono, como The New York Times, AP, AFP e Fox News, se negaram a assinar estas novas condições e deixaram para trás seus escritórios no local.

sst/vla/val/mar/ad/nn/mvv/am

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