Conflitos confessionais espantam turistas na Indonésia
Turistas e cristãos têm fugido da ilha de Lombok, leste de Báli. Procuram escapar de confrontos entre muçulmanos e cristãos que em outras regiões já deixaram centenas de mortos do lado cristão. Turistas suíços foram deslocados de Lombok para Báli.
Na Indonésia, choques confessionais espantaram os turistas em Lombok, região que fica a 2 horas de barco da badalada ilha de Báli. Os turistas, entre os quais vários suíços, fugiram de Lombok de uma confusão envolvendo muçulmanos e cristãos semelhante as que se vêm repetindo em outras regiões indonésias nos últimos meses .
A crise político-econômica que se abateu sobre o país no ano passado (quando a rúpia moeda local sofreu fortes desvalorização) revelou diferenças culturais e desníveis sociais, o que acabou repercutindo na esfera religiosa.
A Indonésia tem aproximadamente 200 milhões de habitantes com a maioria de substrato animista, mas onde 87 por cento são muçulmanos, 10 por cento cristãos e uma pequena minoria é formada de hinduistas e budistas. Até o ano passado a coabitação do ponto de vista religioso era por assim dizer exemplar. Mas as dificuldades econômicas resultaram em rivalidades entre classes sociais, entre pobres e abastados num país em que os cristãos geralmente têm um melhor padrão de vida pelo menos em parte por beneficiarem de uma formação escolar de melhor qualidade. São diferenças que levaram a divergências, dado que os muçulmanos, por exemplo na ilha de Lombok, são uma classe menos favorecida que passou a invejar os que se encontravam, apesar da crise, em condições de vida mais vantajosas.
Especialistas apontam ainda um fator importante na explicação dos conflitos religiosos: controvertida política de migração interna promovida pelo governo de Jacarta nos anos 60, 70 e 80. Um exemplo: da ilha de Java, superpovoada, emigrou muita gente para outras regiões subpovoadas como Lombok. Ora os javaneses do ponto de vista social sobressaiam muito em relação a populações bem menos favorecida. Tais diferenças acabaram se tornando o estopim de revolta.
Resta que nos últimos 12 meses só no arquipélago das Molucas conflitos entre cristãos e muçulmanos deixaram 1700 mortos. (gb)
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