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Milhares de agricultores europeus protestam contra o acordo UE-Mercosul

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Milhares de agricultores, a bordo de dezenas de tratores, protestaram nesta terça-feira (20) contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul em frente ao Parlamento Europeu, um dia antes da votação que decidirá se o tratado será contestado na justiça. 

Agricultores franceses, italianos, belgas e até poloneses manifestaram-se a várias centenas de metros do edifício do Parlamento em Estrasburgo, no nordeste da França. O protesto reuniu mais de 5.500 pessoas, segundo a polícia. 

O protesto teve momentos de tensão. Alguns manifestantes atiraram sinalizadores, bombas de fumaça, garrafas e frutas contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo. 

Os agricultores têm na mira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que no sábado assinou este acordo de livre comércio entre a UE e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, apesar da oposição de vários países, incluindo a França.

Este acordo resultará na importação de alimentos “produzidos de uma forma completamente diferente da europeia, com mais produtos fitossanitários e sem as mesmas normas”, afirmou Baptiste Mary, um agricultor francês de 24 anos. 

Apesar da assinatura, o tratado ainda não pode entrar em vigor. Os parlamentos nacionais dos países do Mercosul precisam ratificá-lo, assim como o Parlamento Europeu, com a votação prevista para os próximos meses.

No entanto, os eurodeputados devem votar na quarta-feira (21) uma proposta para submeter o acordo ao Tribunal de Justiça da UE, a fim de determinar se o seu método de adoção e conteúdo estão em conformidade com a legislação europeia. 

Caso a corte se posicione contra o acordo, este deverá ser alterado para cumprir a decisão judicial.

“Queremos que os eurodeputados cumpram o seu dever, que recorram ao tribunal, para que o acordo possa ser revisto”, disse à AFP Emmanuelle Poirier, uma criadora de gado que teme a “importação maciça de carne” bovina.

O Parlamento Europeu também deverá votar na quinta-feira uma moção de censura contra Ursula von der Leyen, apresentada pelo grupo de extrema direita Patriotas pela Europa, que tem poucas chances de sucesso. 

A Comissão Europeia negocia este amplo acordo com o Mercosul desde 1999. O pacto eliminará as tarifas sobre mais de 90% de seu comércio bilateral. 

O setor agropecuário europeu teme o impacto de uma entrada maciça de carne, arroz, mel e soja sul-americanos, em troca da exportação de veículos, máquinas, queijos e vinhos europeus para o Mercosul.

pau-cho-bar/tjc/erl/aa

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