Trump impõe agenda geopolítica em Davos
Nesta semana, o vilarejo alpino de Davos recebe a 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF). Cerca de três mil líderes políticos, pesquisadores, empresários e outras personalidades participam do evento. Donald Trump é a grande atração.
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Como os EUA dominam o WEF em 2026?
Tematicamente e devido à presença física de Donald Trump. O presidente dos EUA age como um ímã e vem acompanhado por uma delegação de mais de 300 pessoas apenas na equipe oficial, incluindo cinco de seus ministros. Além disso, como todos os anos, membros do Congresso americano, governadores dos EUA e muitos chefes das maiores empresas americanas estarão presentes. Davos se tornará a “Pequena América” neste ano.
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Que tópicos estão na agenda?
Devido à dinâmica dos últimos dias e horas, o foco agora está na questão da Groenlândia e, portanto, nas relações transatlânticas. Donald Trump não estará apenas “fazendo a corte” em Davos, mas também continuará a defender suas ambições geopolíticas. Em oposição a ele estarão os chefes de governo europeus e o primeiro-ministro canadense, que querem fazer frente à administração dos EUA. Resta saber quão unida e forte será a resistência, especialmente diante da última ameaça dos EUA de aumentar novamente as tarifas sobre produtos europeus.
Além dos EUA, que outros temas serão discutidos em Davos?
Neste ano, as questões políticas globais serão dominantes, como os acontecimentos atuais no Irã e a situação na Ucrânia. É provável que as questões econômicas fiquem em segundo plano, apesar de a disputa comercial entre os EUA, a China e a Europa continuar acirrada. Como no ano anterior, grande parte do foco estará na inteligência artificial.
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Qual será o papel do fundador do WEF, Klaus Schwab, depois de ter sido afastado do poder no ano passado?
Pela primeira vez desde a fundação do WEF, Klaus Schwab não desempenhará mais nenhum papel. Ele não participará do evento nem fará qualquer outra aparição pública. Também não haverá homenagem ao trabalho de sua vida. Em suma, Klaus Schwab, como a figura definidora desse evento, será completamente ignorado.
Será que isso marca o fim da era Schwab?
Sim. O pano de fundo para isso é sua remoção do poder na primavera passada, devido a alegações anônimas. Essas alegações incluíam acusações de enriquecimento e comportamento questionável em sua liderança. No entanto, uma investigação encomendada pela nova liderança do WEF, liderada por Larry Fink e André Hoffmann, concluiu que não foram encontradas violações graves.
De fato, Klaus Schwab foi reabilitado. No entanto, ele não está retornando ao grande palco do WEF, nem mesmo para uma despedida oficial com honra e glória. As razões para isso não podem ser esclarecidas de forma conclusiva externamente: vozes do WEF e do círculo de Klaus Schwab afirmam que sua ausência foi parte do processo de revisão realizado no verão passado.
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Como a saída de Schwab afetará o WEF?
Pelo menos até o momento, não há efeitos visíveis. Isso se deve, em parte, ao fato de que o programa e a organização do evento vêm sendo administrados por uma equipe de gestão há anos. No entanto, graças à enorme rede de contatos de Klaus Schwab, o WEF sempre atraiu participantes de alto nível. A nova liderança agora terá de provar que pode fazer o mesmo. Com a edição deste ano apresentando participantes de destaque, a liderança do WEF quer demonstrar que é capaz de alcançar esse objetivo.
Adaptação: Alexander Thoele, com ajuda do Deepl
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