Elisabeth Schneider-Schneiter: “Nossa relação com a UE é, de longe, o tema mais importante”
Elisabeth Schneider-Schneiter, deputada do Partido do Centro, atua no Parlamento para defender os interesses dos suíços e suíças no exterior. Em nossa série “A Quinta Suíça sob a Cúpula”, ela explica suas motivações.
Elisabeth Schneider-Schneiter é uma das parlamentares mais experientes do Parlamento Federal. Jurista de formação, ela atua há 15 anos na política pelo Partido do Centro, como deputada no Conselho Nacional (Câmara dos Deputados) e integrante da Comissão de Política Externa.
Ela também integra o Conselho dos Suíços do ExteriorLink externo e, por meio de suas intervenções, leva regularmente ao Parlamento as preocupações da Quinta Suíça.
Elisabeth Schneider-Schneiter também se empenha fortemente por uma relação regulada entre a Suíça e a União Europeia, especialmente por meio de sua atuação como presidente da Câmara de Comércio das duas BasileiasLink externo e integrante do comitê da federação economiesuisseLink externo.
A Quinta Suíça sob a Cúpula: Diferentemente da França ou da Itália, que concedem circunscrições eleitorais próprias aos seus cidadãos expatriados, os suíços e suíças que vivem no exterior não contam com representação direta sob a Cúpula Federal.
Isso não significa, contudo, que seus interesses não sejam levados em consideração. Mais de 60 parlamentares (de um total de 246) integram o intergrupo parlamentar “Suíços do Exterior”Link externo.
A cada semana de sessão, damos voz a um deles em nossa nova série “A Quinta Suíça sob a Cúpula”.
swissinfo.ch: Na sua avaliação, qual é o tema prioritário da sessão em curso [entre 2 e 20 de junho]?
Elisabeth Schneider-Schneiter: Para os suíços no exterior, o tema mais importante é o debate sobre a iniciativa do Partido Popular Suíço (UDC/SVP) intitulada “200 francos, já basta!”. Por isso, também é um tema prioritário para mim.
A aprovação desta iniciativa enfraqueceria significativamente a SSR [Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão] – e isso também teria repercussões sobre a swissinfo.ch. A proposta, portanto, teria um impacto considerável nas informações que os suíços no exterior recebem por meio desse canal. E é justamente na era das fake news e da falta de informação que notícias confiáveis e independentes se tornam indispensáveis para esse público.
Qual é a posição do intergrupo parlamentar Suíços do Exterior em relação a essa iniciativa?
Está claro que a maioria dos integrantes a rejeita, exceto os membros do UDC/SVP, que fazem parte dos promotores da iniciativa.
Como a senhora vê a posição da Suíça no mundo neste momento?
A Suíça continua a desfrutar de uma excelente reputação. No plano da política interna, conduzimos aqui discussões às vezes acaloradas sobre a neutralidade, que, na realidade, do ponto de vista externo, não é de forma alguma obrigatória.
O clichê de uma Suíça calculista, que só aproveita o que lhe convém, está, portanto, superado?
Nunca ouço essas críticas no exterior. Nossa neutralidade é muito apreciada. Somos percebidos como um país estável, forte do ponto de vista democrático e econômico. É claro que, às vezes, nos reduzem a relógios, bancos e queijos – mas podemos ter orgulho de nosso país.
Como sou especialista em política externa, o Relatório sobre a Política ExternaLink externo é importante para mim nesta sessão. Ele indica a direção que a política externa suíça deve seguir. Como lidar com as mudanças político-econômicas nos Estados Unidos e como se comportar em relação à China e à União Europeia.
E qual é a sua resposta?
Nossa relação com a UE é, de longe, o tema mais importante. Especialmente em tempos tão conturbados, uma relação estável com nosso principal parceiro comercial se mostra crucial. Também está em jogo o êxito da continuidade dos acordos bilaterais. Seria desejável que o pacote de estabilizaçãoLink externo fosse aprovado pelo Parlamento e, depois, pelo povo, se possível ainda durante esta legislatura.
Pude estudar esses acordos em detalhes. Eles são bons, feitos sob medida para a Suíça. O país de fato conseguiu extrair muitos benefícios deles. Agora, trata-se de sua implementação no plano interno. Esse pacote de acordos provavelmente deverá ser submetido a consulta em 20 de junho.
O seu partido vê as coisas de forma igualmente positiva?
O Partido do Centro sempre se empenhou em favor de uma relação estável com a UE e dos acordos bilaterais, e fará isso novamente desta vez.
A senhora já se dedica há anos a defender a Quinta Suíça. Quais resultados conseguiu alcançar?
Finalmente conseguimos dar um rosto à Quinta Suíça no Parlamento e colocar em pauta diversos temas, como o voto eletrônico, os seguros de saúde no exterior e as parcerias com bancos suíços. São conquistas fundamentais – além da criação da Lei dos Suíços do ExteriorLink externo, da qual participei.
Por fim, fico satisfeita por termos conseguido criar uma comunidade sólida de suíços e suíças no exterior durante as eleições federais de 2023. Conseguimos formar boas listas de suíços no exterior. Mantivemos uma troca regular com os membros do nosso partido no exterior.
Atualmente, o lobby dos suíços no exterior é relevante, muito maior do que no início, mas ainda não é suficientemente forte. Uma prova disso foi a rejeição, por pouco, do meu postuladoLink externo para uma cobertura de seguro de saúde para a população suíça no exterior.
Houve outros freios semelhantes em pautas relacionadas à Quinta Suíça?
Sim, a comunidade suíça no exterior tem perdido importância. Desde a pandemia de Covid-19, observa-se que a Suíça se concentra cada vez mais em seu próprio bem-estar, em detrimento de assuntos que dizem respeito ao que ocorre fora das fronteiras nacionais. Isso também afeta as preocupações dos suíços no exterior, que, no entanto, são os melhores embaixadores e embaixadoras do nosso país.
Qual é a origem do seu engajamento em favor da Quinta Suíça?
Como especialista em política externa, sempre tive contato com o tema. Viajo bastante e conheci comunidades suíças em diversos lugares. Além disso, dois dos meus tios emigraram para o Canadá há 70 anos e continuam suíços de coração. Tive muito contato com eles. De modo geral, os suíços e suíças no exterior dão impulsos importantes para a política interna.
Se tivesse de emigrar, para qual país iria?
Gosto do estilo de vida italiano, da cultura e do clima. Vou com frequência à Ligúria. Mas, no fim das contas, gosto demais da Suíça; é aqui que sou mais feliz.
Edição: Samuel Jaberg/fh
Adaptação: Clarice Dominguez
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