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Rússia e China vetam resolução para cessar-fogo em Gaza proposta pelos EUA

Rússia e China vetaram, nesta sexta-feira (22), a resolução proposta pelos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU para um cessar-fogo “imediato” em Gaza, ao considerar o texto “hipócrita” e “ambíguo”, uma posição apoiada pelo grupo árabe, com os palestinos à frente.

O projeto de resolução dos EUA, que sublinha a “necessidade de um cessar-fogo imediato e duradouro” vinculado à libertação dos reféns, recebeu 11 votos a favor, três contra (Rússia, China e Argélia) e uma abstenção (Guiana).

O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, chamou de “cínico” o veto de Pequim e Moscou, membros permanentes do Conselho de Segurança, e afirmou que a resolução buscava “mostrar à comunidade internacional” a “urgência de alcançar um cessar-fogo”.

Desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em 7 de outubro, os americanos se opuseram sistematicamente ao uso do termo “cessar-fogo” nas resoluções da ONU, bloqueando três desses textos.

No final, porém, decidiram colocar à votação nesta sexta-feira um texto que apontava “a necessidade de um cessar-fogo imediato e duradouro para proteger os civis de todos os lados, para permitir a entrega de ajuda humanitária essencial”.

Após se reunir com as autoridades israelenses com o objetivo de facilitar a entrada de ajuda humanitária em Gaza, em sua enésima viagem à região, Blinken alertou que os planos do governo de Benjamin Netanyahu de lançar uma ofensiva terrestre contra Rafah, no sul da Faixa de Gaza, onde se concentra grande parte da população de Gaza que fugiu de outras partes do pequeno território, ameaça “isolar ainda mais Israel no mundo”.

“Compartilhamos o objetivo de Israel de derrotar o Hamas (…). Uma operação terrestre de grande magnitude não é a maneira de fazer isso”, disse o secretário de Estado americano em Israel.

– Nova resolução no sábado –

O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, chamou o projeto de “exercício retórico vazio” que contém um “sinal verde para Israel realizar uma operação militar em Rafah”.

“Embora Gaza tenha sido praticamente varrida do mapa, o representante americano, sem pestanejar, nos garante que Washington reconhece a necessidade de um cessar-fogo”, disse ele. 

O seu homólogo da Argélia, Amar Bendjama, disse que “para dar prioridade ao cessar imediato das hostilidades, o Conselho de Segurança deve tomar medidas decisivas e significativas para acabar com a violência e preparar o caminho para um processo de paz sustentável na Palestina e na região em geral”.

“Ainda temos tempo para agir”, disse aos colegas. 

A posição da Argélia “reflete unanimemente a posição árabe”, afirmou o representante palestino, Riyad Mansour.

“Se os Estados Unidos levassem a sério o cessar-fogo, não teriam vetado repetidamente múltiplas resoluções do Conselho”, disse o embaixador chinês Zhang Jun, que classificou o texto como “ambíguo”, antes de instar Washington a “votar a favor” de outro projeto de resolução que será colocado em votação neste sábado (23), segundo fontes diplomáticas.

Este texto, consultado pela AFP, “exige um cessar-fogo humanitário imediato para o mês do Ramadã” e a libertação imediata de todos os reféns, enquanto a ofensiva israelense ceifou quase 32.000 vidas em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local.

– Divisão –

O projeto de texto dos EUA também condenava “todos os atos de terrorismo, incluindo os ataques do Hamas de 7 de outubro” contra Israel. 

Teria sido a primeira vez que o Conselho de Segurança condena especificamente estes ataques sem precedentes, que mataram pelo menos 1.160 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.

As duas resoluções humanitárias adotadas pelo Conselho, assim como as da Assembleia Geral, não mencionaram o Hamas, uma ausência sistematicamente condenada por Israel. 

O Conselho, há anos muito dividido sobre a questão israelense-palestina, só conseguiu adotar duas resoluções sobre o assunto desde 7 de outubro, principalmente de natureza humanitária. 

E os resultados foram escassos: a ajuda a Gaza continua sendo em grande parte insuficiente, permanece bloqueada por Israel e a fome se aproxima dos palestinos. Várias outras resoluções políticas foram rejeitadas pelos vetos americanos, por um lado, e pelos vetos russos e chineses, por outro, ou por um número insuficiente de votos.

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