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Por Richard Balmforth e Natalia Zinets

KIEV (Reuters) - Forças da Ucrânia investiram contra bases dos separatistas pró-Rússia em regiões do leste ucraniano com ataques aéreos e de artilharia nesta terça-feira, depois que o presidente do país, Petro Poroshenko, anunciou que não iria renovar o cessar-fogo, mas levar adiante a ofensiva para livrar seu país de "parasitas".

Sua decisão logo atraiu reações do presidente russo, Vladimir Putin, que disse que Poroshenko desconsiderou o conselho que ele e os líderes de Alemanha e França ofereceram. Putin afirmou que Poroshenko, agora, terá que arcar com toda a responsabilidade por se afastar do caminho da paz.

Repetindo uma ameaça que fez em março, quando a Rússia anexou a Crimeia, Putin disse que Moscou irá continuar a defender os interesses da população de etnia russa no exterior. Até três milhões deles vivem no leste da Ucrânia, um barril de pólvora separatista desde abril.

Os Estados Unidos declararam que os separatistas não cumpriram o cessar-fogo e que Poroshenko tem “o direito de defender seu país”.

Horas depois do anúncio matutino de Poroshenko, seus militares entraram em ação contra bases rebeldes e pontos de verificação, bombardeando-os do ar e com artilharia.

“O plano dos terroristas de intensificar significativamente o confronto armado foi interrompido, e a ameaça de perdas para a população civil e para os funcionários foi liquidada”, disse o Ministério da Defesa.

Não houve relatos imediatos de baixas.

Poroshenko, que acusa a Rússia de insuflar o conflito e permitir que combatentes e equipamentos cruzem a fronteira para apoiar os rebeldes, rejeitou uma renovação de 10 dias no cessar-fogo depois das conversas telefônicas com Putin, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande.

Mostrando impaciência com o que ouviu de Putin, Poroshenko disse em seu comunicado que a Ucrânia não viu “medidas concretas para apaziguar a situação, incluindo o reforço dos controles de fronteira”.

Depois de pouco mais de três semanas no cargo, Poroshenko encara uma possível reviravolta no apoio popular por causa das derrotas militares durante o cessar-fogo e sofre pressão para adotar ações mais contundentes contra os rebeldes.

Muitos de seus conselheiros de segurança informaram que os rebeldes aproveitaram o cessar-fogo de 20 de junho, renovado por três dias no dia 27, para se reagrupar e rearmar. Um comunicado do Ministério ucraniano das Relações Exteriores afirma que 27 funcionários do país foram mortos e 69 ficaram feridos desde o início do cessar-fogo.

Putin insinuou rispidamente que Poroshenko ficou isolado durante o telefonema com Merkel, Hollande e ele. “Infelizmente, o presidente Poroshenko tomou a decisão de reiniciar as operações militares, e eu e meus colegas europeus não conseguimos convencê-lo de que o caminho para uma paz estável, firme e duradoura não está na guerra”, afirmou.

Não foi possível confirmar imediatamente se Berlim e Paris estavam de acordo com esta versão da conversa de segunda-feira.

Reuters