Anistia Internacional aponta crimes de guerra em Gaza
A Anistia Internacional (AI) publicou nesta quinta-feira um relatório devastador sobre a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza, no início deste ano.
O documento acusa Israel e o grupo islâmico palestino Hamas de terem “violado as leis humanitárias internacionais” ao atacar civis.
Isto também foi confirmado à swissinfo.ch por Reto Rufer, chefe da seção suíça da Anistia Internacional para Israel e os territórios ocupados.
“O Hamas e os grupos armados palestinos dispararam centenas de foguetes indiscriminadamente em território israelense. Enquanto isso, o exército matou centenas de civis, não só com armas de alta precisão como mísseis ar-terra e bombas guiadas, mas também com artilharia e granadas de dardos. Também foram usadas granadas de fósforo branco em áreas com elevada densidade populacional “, explica Rufer.
O relatório “Operação Chumbo Fundido’: 22 dias de morte e destruição em Gaza”, de 117 páginas, publicado pela organização de defesa dos direitos humanos, faz graves acusações contra Israel e seu exército e confirma o saldo de 1400 palestinos mortos – segundo dados das autoridades palestinas.
A delegação da AI entrou na Faixa de Gaza através da fronteira com o Egito durante os meses de janeiro e fevereiro de 2009. Lá ela reuniu-se com centenas de feridos, sobreviventes atingidos e seus familiares. Depois comparou os resultados com as estatísticas publicadas por outras fontes.
Missão Internacional
O ataque – de 17 de dezembro de 2008 a 18 de janeiro de 2009 – também deixou 5 mil feridos e devastou grande parte da Faixa de Gaza, com mais de 2700 construções destruídas, afirma Anistia, cuja sede é em Londres. A AI pediu à comunidade internacional “apoio incondicional” à missão do Conselho de Direitos Humanos da ONU encarregada de investigar a operação e de procurar provas. “Uma investigação que se espera que venha a ser concluída em setembro, e que é fundamental para levar os criminosos à Justiça e poder aplicar o direito internacional”, diz Reto Rufer.
O representante da Anistia Internacional na Suíça também denunciou “a contínua recusa de Israel a cooperar com a missão internacional e independente de investigação das Nações Unidas. Israel rejeita a colaboração com a missão e não deixar entrar na Faixa Gaza nem funcionários de organizações de direitos humanos nem jornalistas independentes”.
Civis mortos
A organização acusa o “Tsahal (exército israelense) de não ter “diferenciado entre alvos militares e civis” numa situação que não podiam ignorar a presença de civis nas zonas bombardeadas. O resultado foi “a morte de centenas de civis desarmados, incluindo 300 crianças, 115 mulheres e 85 homens com idade superior a 50 anos.”
A AI também culpou o Hamas e os grupos armados palestinos de ter disparado inúmeros foguetes contra o território israelense, causando três mortes civis e o êxodo de centenas de milhares de pessoas do sul de Israel.
“Nos termos da lei”
“O tom geral do relatório mostra que a Anistia Internacional sucumbiu às manipulações do Hamas, uma organização terrorista”, disse o porta-voz do exército israelense em um comunicado.
Em resposta a um relatório preliminar publicado em fevereiro, o Ministério israelense das Relações Exteriores havia criticado a AI de apresentar “uma versão distorcida dos acontecimentos que não corresponde aos critérios profissionais de objetividade”.
A chancelaria do governo de Israel garantiu que não tinha atacado deliberadamente alvos civis e que “todas as armas utilizadas estavam em conformidade com o direito internacional e sua utilização por exércitos ocidentais”.
A Anistia rejeita estes argumentos, salientando que, até ao momento, as autoridades israelenses “se abstiveram de realizar uma investigação independente e imparcial sobre o comportamento de suas forças armadas”.
Na ofensiva israelense contra Gaza morreram seis militares. “O Hamas não só nunca fez qualquer investigação sobre os disparos de foguetes, como também persiste em justificar essas ações ilegais”, afirma a AI.
Em Gaza, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, rejeitou as conclusões do relatório, dizendo que elas “não são justas nem equilibradas”.
Rufer concluiu que, diante das críticas de ambas as partes sobre ao relatório, as pessoas têm de analisar a credibilidade das diferentes declarações.
Iván Turmo swissinfo.ch (com agências)
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